De chocolate a Bélgica entende

Vocês estão recuperados com a derrota do Brasil nesta Copa? Confesso eu ainda não. Não sou comentarista esportiva, mas tenho que concordar com os especialistas que dizem que foi a pior derrota desde o penta.

Desta vez, não tivemos nenhum apagão ou crise epilética que pudesse justiçar a derrota. As roubalheiras e ambições políticas também foram disfarçadas para a Rússia. Não consigo pensar
em nada que demandasse mais que a concentração no mundial por parte dos atletas.

Não acho também que não estivessem fisicamente preparados. Será? O que penso, na verdade, é que este fracasso parece normal para a equipe do Brasil. É como se a Seleção achasse que é ainda a grande potência do futebol e não se esforçasse para combater o time adversário que, ao contrário do que pensam, estão com os craques jogadores e com um futebol muito forte. O que dizer do Hazard da equipe Belga?

Desligo a TV e as análises da derrota tentam me convencer de que o importante é achar os culpados. Perdemos porque fomos inferiores. Fomos dominados tecnicamente, emocionalmente e pelas estrelas do individualismo.

Sempre que um time se desequilibra emocionalmente, corre o risco de ser goleado. Também acho que o nosso técnico não ousou e perdeu a chance de vivenciar o novo.

Técnico novo, falhas velhas. Foi uma dura lição. Como se diz por aí, pau que dá em Chico dá em
Francisco e futebol, como qualquer outro esporte, não se ganha só com as pernas, se ganha, sobretudo com a cabeça.

Quem sabe chegou (ou passou) da hora de rever os campeonatos, as seleções de talentos, a formação dos jogadores, a valorização do atleta (não do ídolo), da eliminação dos picaretas etc? Talvez isso não vai acontecer, pelo menos o que estou vendo.

A nós, mais uma vez, nos restou uma lembrança amarga e espero para os próximos jogadores e Seleção Brasileira que sirva a lição de que chororô, cabelos rebuscados, quedas intermináveis,
egoísmo e orgulho, de longe, não são os caminhos para a vitória. Boa quarta.

MARIANA REIS é consultora em acessibilidade e educadora física


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