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Bolsonaro e equipe enfrentam crise conjugal
Painel da Folha de São Paulo

Bolsonaro e equipe enfrentam crise conjugal

Além de expor a desarticulação no Congresso, a tentativa de Jair Bolsonaro de aliviar as regras de aposentadoria de agentes de segurança mantidos pela União expôs de maneira indefectível divergências entre o presidente e sua equipe econômica. Na manhã dessa quinta-feira (4), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) fez apelo para que policiais federais fossem retirados da reforma da Previdência e inseridos em novo projeto de lei complementar. Paulo Guedes (Economia) mandou recado na direção oposta.

Boi e boiada - Guedes sinalizou sua opinião por meio de interlocutores. Ele não se envolveu pessoalmente na operação que contrariava a vontade do chefe. O entendimento da equipe econômica é semelhante ao do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que abrir precedente aos policiais pode ampliar o lobby de outras categorias.

Meu umbigo - A ação do ministro da Economia foi detectada por aliados de presidente que trabalhavam, no Parlamento, para atender os agentes de segurança, uma das bases do bolsonarismo. Esse grupo de deputados diz que Guedes foi "egoísta" ao trabalhar contra a emenda dos policiais.

Terapia de casal - Aliados de Bolsonaro dizem que as divergências nesse "casamento hétero", como o próprio presidente nomina sua aliança com Guedes, devem ficar ainda mais claras.

Terapia de casal II - O fato de o ministro ter chamado o chefe de "ingênuo" e ainda assim ter sido ovacionado por agentes do mercado financeiro em evento da XP tende a favorecer o quadro de estranhamento.

Do próprio veneno - A bateção de cabeças no partido de Bolsonaro e entre integrantes do próprio governo foi saboreada por líderes de siglas de centro e centro-direita. Pela primeira vez, dizem eles, o presidente prova o gosto da política de confrontação e pressão via redes sociais que criou.

Guerrilha - Permanece viva no PSL a ideia de apresentar no plenário uma emenda que retire as polícias da reforma e preveja condições especiais em um projeto de lei complementar.

Enquanto é tempo - Em almoço com dirigentes e líderes de partidos, Maia pediu o empenho deles na aprovação das novas regras de aposentadoria até o fim deste mês. Ele avalia que lobbies de servidores vão ganhar mais força com o passar do tempo.

Órfão - A insatisfação dos agentes de segurança mantidos pela União não foi direcionada apenas a Bolsonaro e Paulo Guedes. O silêncio do ministro Sergio Moro (Justiça) foi alvo de críticas. "Não tivemos quem nos defendesse na nossa própria casa", diz Flávio Werneck, diretor jurídico da Federação Nacional dos Policiais Federais.

Gosto de fel - O retrato final da votação do relatório da reforma na comissão especial marca uma quebra de confiança entre os policiais e o governo. "O presidente não tem força nessa reforma. Está demonstrando que não consegue controlar sua equipe no Congresso", diz Werneck.

Meio a meio - A Agência PT produziu relatório sobre o comportamento nas redes durante a oitiva de Moro na Câmara, nessa terça (2). O levantamento analisou 94,2 mil postagens. Elas foram dividas em três grupos: 48% de apoiadores do ex-juiz, 46,6% de críticos e 3% de "intermediários à polarização".

Anote aí - Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), dizem que ele se prepara para, na próxima semana, instalar o Conselho de Ética da Casa.

Em família - Flávio e Eduardo Bolsonaro participam juntos do "Jogo dos Pontinhos", de Silvio Santos. Gravam sábado (6).

Visitas à Folha - Juan Jaime Díaz Cauquelin, presidente da Asociación Nacional de la Prensa do Chile (ANP), Claudia Chateau Rivask, gerente-geral da ANP, e Daniel Dessein, presidente da Comisión de Libertad de Prensa da Asociación de Entidades Periodísticas Argentinas, visitaram a Folha nessa quinta-feira.
O presidente da Construcap, Roberto Ribeiro Capobianco, também visitou a Folha nesta quinta. Estava acompanhado do responsável pela concessão de parques, Samuel Lloyd, e de Vilma Balint, da Máquina Cohn&Wolfe.

Tiroteio
"Como um governo consegue ser tão inábil? Enquanto isso, os que dão a vida para a sociedade têm os direitos suprimidos."

De Fábio Luís de Almeida, presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais em São Paulo, após derrota na negociação da reforma.

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