Música

Conheça o pianista João Ventura, brasileiro que tocou com Madonna e acompanha Toquinho


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Certo dia, o pianista sergipano João Ventura, de 32 anos, estava se apresentando no Tejo Bar, em Lisboa, cidade onde mora e faz doutorado na Universidade Nova, e havia uma pessoa um tanto famosa o assistindo: Madonna, que também reside na capital portuguesa. A Rainha do Pop se encantou pelo talento do brasileiro e o chamou para tocar com ela no MET Gala 2018, conhecida noite de gala do Metropolitan Museum of Art de Nova York.

“O convite aconteceu dias depois que ela me viu tocar, a partir de uma ligação da própria Madonna para o meu celular, conta João em entrevista ao Virgula. “Não nos falamos no dia do Tejo Bar, havia muita gente ao redor dela e estava difícil de chegar perto”, relembra. “Penso que o que chamou a atenção dela foi a minha verdade enquanto instrumentista. Não sou o melhor pianista do mundo, até porque é impossível eleger quem é. Mas, procuro desenvolver uma forma de tocar que me diferencie dos outros”.

Em seu trabalho, João desenvolve os ‘Contrapontos’, técnica que une clássicos da música erudita com a música popular. E, segundo ele, foi o diferencial para Madonna se interessar: “Sempre ouvi – sobretudo nos ambientes acadêmicos – que a mistura entre a músicas popular e erudita não era bem vista. Acho isto uma grande besteira. Observando a música de Chopin, percebe-se que ela está embebida do folclore polonês. Visitando os compositores do Brasil, percebemos que a música de Villa Lobos contém uma enxurrada de temas populares imersos nos processos composicionais eruditos. Madonna observou essa verdade e essa originalidade e me convidou”.

Após ser ‘convocado’, o brasileiro foi ao encontro da diva pop para trabalhar: “Ficamos uma semana ensaiando para o evento. Nada saiu do lugar e o que mais me chamou a atenção nela foi o fato de vê-la participando assiduamente de todos os ensaios. Ela não mandava dublê nem coisa parecida. Estava sempre lá, comandando tudo o que estava acontecendo com uma dedicação incrível”.

O pianista também relata como era estar tão perto de uma estrela da música: “O convívio com Madonna foi excelente. Pessoalmente, ela é muito tranquila e gosta que as pessoas ajam com naturalidade, de maneira profissional. Madonna só quer ser tratada como um ser humano comum, que sabe e respeita sua função na comunidade. Às vezes, fazemos pré-julgamentos que podem atrapalhar o contato com artistas, mas penso que no fim das contas, as pessoas só querem ser tratadas com amor e pronto”.

Atualmente, João acompanha outra lenda: Toquinho, um dos maiores artistas da música brasileira de todos os tempos. O pianista participa do show Contrapontos do violinista, que chega ao Teatro OPUS, em São Paulo, nos dias 11, 12 e 13 de setembro, sempre às 21h. Camilla Faustino e Proveta também participam das apresentações.

“Tocar com Toquinho é algo indescritível. Nunca imaginei que dividiria o palco com ele”, diz João, desacreditado em poder se apresentar com o ídolo. “Por mais que eu seja um profissional, nunca abandono o meu lado fã. Não deixo que nenhum conceito técnico-musical retire o meu encanto pelas coisas. Porém, nestes palcos que dividimos existe o João Ventura profissional, o pianista, mas existe também o João fã”.

Sobre estar ao lado de Toquinho, o pianista não se limita nos elogios: “O interessante é que antes de conhecê-lo pessoalmente, eu era fã do artista, hoje sou fã também da pessoa também. Toquinho é um ser incrível, de uma generosidade admirável. Tocar com ele é um aprendizado em todos os sentidos, tanto no nível musical quanto humano. As apresentações no Opus seguirão a mesma balada: serão dias de celebração do amor, da música e da amizade”.

Demonstrando que a coexistência entre o erudito e o popular pode acontecer em todos os níveis, João está alcançando lugares inimagináveis com a sua música. Seja ao lado de Toquinho, ou de Madonna.