Notícias

Educação

Como educar uma geração cada vez mais impaciente?


Rossandro Klinjey: “A escola precisa, além do técnico e cognitivo, trabalhar o emocional dos alunos” (Foto: Divulgação)
Rossandro Klinjey: “A escola precisa, além do técnico e cognitivo, trabalhar o emocional dos alunos” (Foto: Divulgação)
Educar está mais difícil. É o que garante o escritor e psicólogo Rossandro Klinjey, especialista em Educação. Segundo ele, a impaciência, característica do aluno atual, está atrapalhando o aprendizado.

Para Rossandro Klinjey, está faltando desenvolvimento emocional em crianças e adolescentes.
O especialista vem a Vitória na próxima quinta-feira falar sobre o assunto na abertura do 8º Congresso das Escolas Particulares do Espírito Santo. O tema da palestra será “Como educar uma geração que não acredita na educação como agente transformador da própria vida?”

A Tribuna – Está mais difícil educar esta geração?
Rossandro Klinjey – Acho que tem um lado que é mais difícil, mas o que a gente percebe é um lado de pais menos dispostos a educar. Vemos pessoas que conseguem bons resultados, pacientes respeitosos. Se fosse uma coisa de geração, todos estariam assim. Mas vemos que é a maioria, mas não todos.

E quando olha à sua volta para ver o porquê isso aconteceu, vemos pais e mães que exageraram na superproteção, enfraquecendo os filhos. Exageraram com coisas, tentando compensar a falta e a exigência do mundo com o trabalho. Se preocuparam muito mais com o padrão de vida, do que com o desenvolvimento emocional. E aí, são crianças e adolescentes lotados de coisas, mas que têm pouca capacidade de suportar processos, de esperar as coisas acontecerem, de conquistarem seus próprios espaços.

Há uma geração impaciente, que não sabe esperar. A que se deve isso?
Deve-se ao exagero dos pais. Antigamente, quando o pai chegava e queria ver o jornal, as crianças tinha que sair e o adulto via o que queria.

Hoje, chegamos à sala de uma casa, está uma criança monopolizando a televisão da sala, vendo um desenho pela milésima vez, os adultos querendo conversar e ela ignorando. Então, os pais não deixam claro que é a hora deles, que eles têm de esperar, respeitar o outro que chega. A criança fica sendo o centro do universo e o egocentrismo normal da criança, que deveria amadurecer, se torna egoísta.

Qual o desafio da escola com essa criança impaciente?
O processo educativo é um processo de espera. Então, a escola tem que, primeiro, chamar a família para uma parceria mais consistente, no sentido de que a escola está ali para ajudar, colabora, mas não faz o que não é feito em casa. Porque se o seu filho não te respeita, ele não vai respeitar o professor. E se ele não respeita o professor, não vai aceitar o que ele oferece, que é: conhecimento e educação. Está faltando essa parceria.

O que mais escuto quando dou palestras em qualquer escola, seja pública ou privada, são diretores e professores dizendo ‘é uma pena professor, porque os pais que me dão mais trabalho não vieram à reunião’.

Essa impaciência na sala de aula atrapalha?
Atrapalha sim, é mais difícil ensinar. Se professor precisa que a criança esteja envolvida e ela quer assistir à aula uma vez e acha que já domina a matemática, fica difícil. Não é bem assim, é preciso de exaustivos processos de repetição.

E quando não consegue mostrar a importância disso, o aluno fica sem paciência no processo. A educação não é um aplicativo que baixo no Apple Store, tem que estudar todo dia, ouvir, fazer e errar para poder aprender.

E como a escola pode trabalhar essa impaciência?
A escola precisa entender que, além do desenvolvimento técnico e cognitivo, ela também precisa trabalhar o emocional dos alunos. É preciso ter um conteúdo emocional, trabalhar o afeto. Desejo que isso seja pauta dentro da escola. Está começando uma evolução, mas é preciso ser mais intensa e objetiva essa busca do desenvolvimento emocional dos alunos.

E qual a mensagem que vai trazer para pais e professores?
A gente tem de entender que, além de dar aos filhos a melhor proteção possível, tem que ser para eles um exemplo a ser seguido. Estamos com necessidades de bons exemplos. Eles estão se ligando a youtuber, jogadores, personalidades fúteis e não à família, professores e pais.