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Saúde mental é cuidar de si mesmo e dos que te cercam

| 15/08/2021, 11:22 11:22 h | Atualizado em 15/08/2021, 11:46

“Cuide da sua saúde mental”. É bem possível que você tenha ouvido ou lido essas palavras na mídia, nas redes sociais ou até mesmo dentro de consultórios médicos. A saúde mental nunca esteve tão em pauta como agora, uma vez que a pandemia de covid-19 praticamente nos obrigou a olhar para dentro, conviver e tentar entender nossos problemas mais íntimos.
Além disso, viver num mundo pandêmico mudou para sempre a vida de milhões de pessoas. Muitas perderam entes queridos, amigos e familiares. Outras perderam o emprego, ficando sem fonte de renda e sem esperança de dias melhores. Há pessoas que passaram, e ainda passam, pelas duas situações.
Outras contraíram a covid-19 e se curaram, mas carregam consigo as inúmeras sequelas da doença que afetou não só a nossa saúde, mas a forma como vivemos.

A pandemia aumentou o número de pessoas com transtornos mentais. Ansiedade, medo, estresse, quadros depressivos, insônia, disfunções cognitivas, como déficit de atenção e de concentração, angústia e tristeza são cada vez mais relatados nos consultórios e fora deles. Os próprios profissionais da saúde, esgotados e de certo modo traumatizados com a experiência pandêmica acabaram se tornando também pacientes psiquiátricos.


Desse modo, o papel do psiquiatra tem se tornado ainda mais fundamental para conseguirmos enfrentar o mundo com mais equilíbrio e saúde, tanto física quanto mental. A falta de saúde mental compromete as tarefas mais básicas do cotidiano.


E se engana quem acha que ansiedade, depressão ou qualquer outro tipo de transtorno mental é exclusivo apenas de nós, “pobres mortais cidadãos comuns”.
Recentemente, a ginasta norte-americana Simone Biles abriu mão de competições em várias modalidades nas Olimpíadas de Tóquio para colocar a saúde mental em primeiro lugar. A decisão da atleta foi criticada por muita gente. Vemos os esportistas, principalmente aqueles de nível olímpico, como heróis inabaláveis, como se fossem à prova de qualquer fraqueza.


Se uma medalhista olímpica vai a público e abre a possibilidade para discutir as nossas vulnerabilidades, por que ainda tentamos esconder ou demoramos a procurar pelo tratamento?

Estamos esgotados. Precisamos encarar que cuidar apenas do corpo não é mais suficiente. O adoecimento da mente, que antes era tratado de forma velada, agora se tornou uma pauta urgente e necessária.

Os transtornos e as doenças psicológicas ou psiquiátricas devem ser levados a sério e tratados por quem entende.
Quem tem transtorno ou doença mental não é fraco, não é pior do que ninguém. Com o tratamento correto e a conversa franca com aqueles que nos são mais próximos é possível ter mais plenitude. Precisamos lutar contra a psicofobia. É necessário reconhecer que existe um problema para que haja a possibilidade de reabilitação.
Faça um exercício e olhe para si mesmo e para aqueles que te cercam. Será que você ou seu próximo precisam de ajuda? Não deixe de buscar tratamento.


MARIA BENEDITA REIS é médica psicogeriatra e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria.
 

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