Carnaval: a festa que faz sentido para cada um
Confira a coluna desta quinta-feira (27)
Lembro das festinhas de Carnaval na escola do meu filho. Todos fantasiados, marchinhas tocando, o clima de alegria no ar. Mas, para ele, aquilo não fazia sentido. Fantasiar-se e pular ao som das músicas tradicionais não era algo que o deixava feliz.
E, por um tempo, confesso que me senti na obrigação de fazê-lo participar, como se fosse necessário encaixá-lo naquele modelo de festa. Só depois percebi que a verdadeira festa é aquela que respeita o que faz bem para cada um. Isso me fez pensar: o que é uma festa, afinal?
Para muitos, festa é sinônimo de música alta, multidão e euforia. No Carnaval, essa ideia se traduz nos blocos de rua, nos desfiles das escolas de samba, nos trios elétricos lotados de foliões. Mas festa, no seu sentido mais essencial, é um momento de celebração, de bem-estar, de alegria. E a forma como cada um acessa essa alegria é única.
Para algumas pessoas, a verdadeira festa pode ser sentar no sofá, fazer uma pipoca, abraçar quem se ama e assistir a um bom filme. Para outras, pode ser viajar para um lugar tranquilo, longe do barulho da cidade.
Há quem prefira usar o feriado para se recolher, buscar autoconhecimento, meditar e se reconectar consigo mesmo. Prova disso são os retiros espirituais que acontecem durante o Carnaval, como o organizado por monges budistas no Espírito Santo, que oferecem práticas de meditação, alimentação consciente e momentos de silêncio.
O psicólogo suíço Carl Jung falava sobre o processo de individuação, que é a jornada de cada um para se tornar quem realmente é, respeitando sua essência e seus próprios desejos, e não apenas seguindo o que é imposto pela sociedade.
Aplicando essa ideia ao Carnaval, percebemos que não há um único jeito “certo” de viver essa festa. O importante é que cada um se sinta confortável e respeitado em sua escolha.
E é aqui que entra a necessidade de respeitarmos as escolhas dos outros. Muitas vezes, queremos levar alguém para a folia, para um bloco ou uma festa, mas essa pessoa pode estar em um momento diferente, precisando de silêncio, de introspecção. Isso não significa que ela não gosta de nós ou que não queira se divertir – apenas que a diversão dela acontece de outra forma, em outro ritmo.
Dados recentes reforçam essa diversidade de preferências. Uma pesquisa exclusiva intitulada “Ainda somos o país do Carnaval?”, conduzida pela MindMiners, revelou que 58% dos entrevistados afirmam não ter o costume de acompanhar nada sobre o Carnaval, enquanto 43% costumam se envolver de alguma forma. Além disso, mais de 70% dos brasileiros já deixaram de aproveitar o Carnaval por medo de golpes, conforme pesquisa da Serasa.
Esses números mostram que uma parcela significativa da população opta por alternativas à folia tradicional.
Então, neste Carnaval, que tal perguntar a si mesmo: o que é festa para mim? E mais do que isso: como posso respeitar a forma como o outro escolhe celebrar?
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