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Ciência não é opinião
Doutor João Responde

Ciência não é opinião

Em alguma savana africana, um caçador mata um chimpanzé. O sangue do animal entra no corpo do caçador, possivelmente por uma ferida aberta. Este sangue carrega um vírus que é inofensivo para o macaco, porém letal para o ser humano; um vírus que mais tarde receberia o nome de HIV.

Algumas pessoas acreditam que a Aids foi uma doença fabricada em laboratório. Para esses adeptos de teorias da conspiração, o governo americano teria desenvolvido o HIV artificialmente para usá-lo como arma biológica. O vírus teria escapado dos cientistas, sabe-se lá como, e começado a fazer vítimas pelo mundo.

Negando evidências e simulando controvérsias onde, na verdade, há consenso, o negacionista seleciona uma narrativa alternativa para explicar a realidade.

Os mercadores da dúvida desconhecem que a maior riqueza da ciência não é a certeza produzida ao fim do processo de investigação, e sim o modo qualificado de tratar as dúvidas durante esse processo. Incertezas, perguntas, problemas e questões em aberto são matérias-primas da ciência.

A negação de um fato pelo negacionista é feita de tal forma que as pessoas que não são especialistas no assunto, não têm opinião formada a respeito ou ignoram os dados relevantes são levadas a discordar da ciência estabelecida.

A primeira coisa que sai da boca do negacionista é que algum “cientista importante” concorda com ele. No entanto, dá para contar nos dedos os que realmente são especialistas. Os demais são simplesmente pessoas que emitem opiniões, sem qualquer credencial.

Geralmente, os falsos especialistas atacam os verdadeiros especialistas, a quem acusam de ser comprados ou vendidos para determinados grupos ou empresas.

Uma das ferramentas preferidas do negacionista é atacar o oponente enquanto pessoa, não seu argumento. Falsas dicotomias para defender um argumento são também usadas pelo contestador. 

O negacionista depende disso porque não tem a ciência do seu lado, ao contrário do cientista que segue a evidência e, portanto, não precisa recorrer a argumentos logicamente inválidos.

Outro estratagema do reivindicador é exigir, da ciência disponível, padrões impossíveis ou certezas absolutas, com a implicação de que se ela não alcança esses padrões é, portanto, totalmente inválida e deve ser desconsiderada.

Nenhuma conquista da ciência é absoluta, e é nisso que reside a força do método científico. Toda descoberta permanece aberta a novas informações e aperfeiçoamentos, e é assim que a ciência se torna melhor e mais forte.

Ao selecionar apenas as informações que sustentam seu achado preferido, descartando os dados que o contestam, o negacionista quase sempre exclui elementos que contradizem o que se deseja demonstrar, enquanto a ciência, sem rodeios, se empenha para levar em conta a maior quantidade possível de informações desse tipo, já que o trabalho de testar e descartar hipóteses é essencial no método científico. 

“Quanto menos alguém entende, mais quer discordar”.

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