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Alerta de possível invasão da Ucrânia pela Rússia abala mercados

Nesta sexta, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 1,43%, 1,90% e 2,78%, respectivamente

Agência Folhapress | 11/02/2022 21:05 h

O mercado global de ações foi sacudido na tarde desta sexta-feira (11) pelo alerta do governo americano sobre a iminência de uma invasão da Ucrânia pela Rússia. Um conselheiro da segurança nacional da Casa Branca disse que a ofensiva militar russa pode ter início antes mesmo do fim dos Jogos de Inverno de Pequim, em 20 de fevereiro.

Os principais índices de ações negociadas em Nova York passaram a operar em forte queda após o alerta, o que interrompeu uma tentativa de recuperação em Wall Street. Na véspera, o mercado dos Estados Unidos já tinha sido afundado em pessimismo devido à divulgação de um indicador de inflação pior do que o esperado.

Nesta sexta, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 1,43%, 1,90% e 2,78%, respectivamente.

O petróleo Brent, referência internacional, subia 4,01%, a US$ 95,08 (R$ 494,23), no final da tarde. A Rússia está entre os principais produtores globais de petróleo e gás natural. Uma crise envolvendo o país pode restringir ainda mais a oferta desses materiais, pressionando os preços, que já estão no maior patamar desde 2014.

A Bolsa de Valores brasileira perdeu fôlego em meio ao crescimento da tensão no exterior. O Ibovespa encerrou o pregão com ligeiro ganho de 0,18%, a 113.572. Antes do noticiário sobre a Ucrânia impactar o mercado, o indicador de referência da Bolsa havia atingido uma alta de 1,35%, na cotação máxima do dia (114.899 pontos).

Apesar da turbulência no final da sessão, o mercado de ações do Brasil fechou com um saldo semanal positivo pela quinta vez seguida. Desde dezembro de 2020, quando completou um ciclo de sete semanas em ascensão, a Bolsa não tinha um período tão longo de altas.

Já o dólar encerrou em alta de 0,07%, a R$ 5,2440. Ao longo da sessão, também antes de ser influenciada pelo temor vindo do exterior, a moeda americana havia caído abaixo dos R$ 5,20, dando sinais de que haveria uma correção em relação à alta da véspera.

É também do exterior que vem a explicação para esse período positivo da Bolsa neste início de ano. Investidores estrangeiros estão vendendo ações que tiveram grande valorização, sobretudo no mercado dos Estados Unidos, e que agora estão sofrendo forte correção devido à expectativa de que o Fed (Federal Reserve) e outros bancos centrais elevem suas taxas de juros para combater uma onda inflacionária global.

"Com a perspectiva de que o Fed tome medidas mais rígidas visando conter a inflação americana, os investidores globais buscaram ativos mais descontados, impulsionando a entrada de capital estrangeiro para a Bolsa brasileira. Assim, a Bolsa se manteve no positivo, com destaques para as ações da Vale, Petrobras, Bradesco e Itaú", resumiu a Genial Investimentos em seu relatório diário.

Bolsa e real sofreram forte desvalorização no ano passado devido à tensão gerada pela antecipação da disputa eleitoral. O Ibovespa recuou quase 12% em 2021.

As expectativas para a Bolsa brasileira em 2022 também eram de queda devido à pressão que a disputa eleitoral costuma exercer sobre os gastos públicos, comprometendo a avaliação de investidores sobre a capacidade que o governo terá de executar o Orçamento.

Ainda não há consenso entre analistas de mercado sobre até quando o cenário positivo para o Brasil irá durar. A manutenção da valorização das principais commodities locais é apontada como o fiel dessa balança.

Com o agravamento da crise entre Rússia e ocidente, porém, restrições na oferta de petróleo podem impulsionar ainda mais a inflação global. Isso poderia obrigar o Fed a antecipar e a ampliar uma alta de juros.

Para o mercado de ações do Brasil, a crise na Europa deixa o horizonte nebuloso. Caso os juros americanos subam além do esperado, há o risco de uma fuga de capital rumo aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Mas a elevação do preço do petróleo também pode valorizar ações de petroleiras brasileiras, como é o caso da Petrobras.

Na esteira da escalada do petróleo, as ações preferenciais da Petrobras subiram 4,07% nesta sexta. A petroleira privada PetroRio teve valorização de 4,24%. As empresas figuraram entre as principais altas do Ibovespa, que foi liderado pelo Itaú Unibanco, cujo balanço do quarto trimestre agradou ao mercado.

Até esta quinta-feira, analistas de mercado apostavam em quatro ou cinco elevações de 25 pontos-base nos juros de referência nos Estados Unidos, o que ainda manteria a taxa em um patamar relativamente baixo.

Nesta sexta, porém, novas análises começam a indicar que o mercado passa a esperar uma política de elevação de juros mais agressiva.

O banco Goldman Sachs relatou prever sete altas de 25 pontos-base, acima das cinco estimadas anteriormente, atualizando sua previsão após os dados de inflação americana de quinta-feira.

Os preços ao consumidor nos EUA subiram 7,5% no mês passado na base anual, acima das estimativas de economistas de 7,3% e o maior salto anual da inflação em 40 anos, aumentando ainda mais a pressão sobre o banco central do país para elevar os juros de forma mais agressiva.

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