Ciclista é a primeira mártir da nova "guerra" entre homens e máquinas

A cena do acidente, com o carro autonômo e a bicicleta atingida
A cena do acidente, com o carro autonômo e a bicicleta atingida

Elaine Herzbert, 49 anos, pedalava na rua quando foi atingida por um SUV da Volvo que seguia autonomamente pelo trânsito da cidade de Tempe, no Arizona, Estados Unidos. Em nenhum momento o veículo sem motorista, em desenvolvimento pelo Uber, deu sinais de ter detectado Elaine. Sem reduzir a velocidade, a atropelou e matou a 64 km/h.

O estado do Arizona tem uma das legislações mais flexíveis dos Estados Unidos com vistas a atrair fabricantes para testar em suas ruas os carros autônomos.

A morte de uma ciclista provavelmente levará, no mínimo, a uma reflexão sobre as consequências envolvidas na transição da era do motorista imprudente para a da máquina indiferente.

Mas trata-se, todavia, de protelação. O jogo já foi jogado e os carros autônomos são considerados inevitáveis. São bilhões em investimentos ao redor do mundo. O carro sem motorista é além de tudo visto como a superplataforma para negócios, publicidade e atuação das redes globais de comunicação (leia-se Google, Amazon, Facebook) via internet móvel. E como se sabe, o pessoal do Vale do Silício quando quer uma coisa...

As críticas à transição, contudo, são crescentes. Como definiu um advogado que defende vítimas de trânsito, citado pelo New York Times, os Estados Unidos vivem o Velho Oeste no que diz respeito aos carros sem motorista. E as empresas procuram cidades com xerifes mais sonolentos para testar seus protótipos.