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Christiane Torloni ensina a viver

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Christiane Torloni ensina a viver


Dizem que quem a ouvia podia chegar aos céus e, por isso, Maria Callas era chamada de “La Divina”. Ela mesma, no entanto, foi muitas vezes ao inferno. Rejeição materna, perda de um filho, relacionamentos abusivos foram algumas tragédias que marcaram sua vida.

 "É tão bonito acompanhar a história de uma pessoa que foi tão humana e foi superando seus desafios, suas limitações!” (Foto: Calé Merege/Divulgação)
"É tão bonito acompanhar a história de uma pessoa que foi tão humana e foi superando seus desafios, suas limitações!” (Foto: Calé Merege/Divulgação)


Assim como nas óperas que protagonizava, Callas se reinventou várias vezes. E, no final, morreu de amor. “O subtítulo da peça poderia ser 'Ensina-me a Viver'. É de uma profundidade e de uma humanidade! As pessoas saem muito encorajadas do teatro e isso é muito bacana”, reflete Christiane Torloni, 62 anos, que será Callas em “Master Class”, no próximo fim de semana em Vitória.

A peça premiada, escrita por TerrenceMcNally, concentra-se no período em que a maior soprano de todos os tempos deu aulas na Juilliard School, em Nova Iorque, para revelar uma vida inteira dedicada à música. E à excelência. Perfeccionista, La Divina era considerada temperamental.

“Ela não tinha uma relação com alguém que a desafiasse. Era Callas que desafiava Callas”, confirma Torloni.

“É uma história de superação” - Christiane Torloni, atriz

AT2: O público capixaba te adora e mal pode esperar para vê-la.
Christiane Torloni: Eu também gosto muito de Vitória, do Espírito Santo, e sempre fui muito bem recebida pelos capixabas. A última vez que estive na cidade foi há quase dez anos, com o espetáculo “A Loba de Ray-Ban”. Foi um grande sucesso de público!

AT2: “Master Class” é baseada no período em que Maria Callas foi professora na Juilliard, mas também conta sua trajetória. O que essa história lhe ensinou?
Christiane Torloni: É muito incrível, porque, quando você se aproxima da Callas, a história dessa mulher é uma história de superação, desde o nascimento dela, pois ela foi recusada pela mãe nos primeiros dias.

Então, esse é um espetáculo para você se apoiar em alguém que, mais do que tudo, não desistiu do seu belo. Brinco que acho que é um espetáculo de autoajuda. É tão bonito você acompanhar a história de uma pessoa que foi tão humana e foi superando seus desafios, suas limitações e se reinventando! Ele fala dessa capacidade magnífica de nos reinventarmos e sobrevivermos.

AT2: Esta é a terceira montagem do espetáculo. Tornar-se “La Divina” hoje é mais fácil?
Christiane Torloni: Maria Callas continua me ensinando. Esse é um espetáculo que me pede ainda mais disciplina, rigor e dedicação.

Recentemente, tivemos um ensaio técnico e parecia que era a primeira montagem. O que eu percebo é que esse espetáculo continua com uma vida própria. Nunca fiz algo do tipo.

Fico muito feliz e continuo disciplinadamente tendo uma aula com a Maria Callas. É um espetáculo muito mágico.

Julianne Daud e Christiane Torloni em cena no espetáculo “Master Class” (Foto: Divulgação)
Julianne Daud e Christiane Torloni em cena no espetáculo “Master Class” (Foto: Divulgação)
AT2: Callas é descrita por muitos como uma mulher de personalidade forte, exigente. O que você diria sobre ela? Quais traços dessa mulher a sensibilizam?
Christiane Torloni: Callas se expressava com ironia, tinha um humor sofisticado, inteligente. Ela tem um humor muito refinado, que provoca as pessoas na plateia. Tem uma questão, talvez seja o que mais me inspire, é que ela não tinha uma relação com alguém que a desafiasse.

Era Callas que desafiava Callas. Isso é uma outra maneira de ver tudo. A maioria das pessoas tem o desafio de fora para dentro. Ela, não. Vinha de dentro dela.

Maria Callas (Foto: Divulgação)
Maria Callas (Foto: Divulgação)
AT2: A peça é uma homenagem a uma grande mulher, não?
Christiane Torloni: Sim, sem dúvida, Callas é uma grande mulher! Acho que a Maria Callas coloca, a serviço da música, da arte, da beleza, toda a experiência que ela tece na vida, incluindo a pessoal.

Apesar de toda a técnica vocal, ela não acredita só em técnica. Só acredita naquilo que vem do coração e vai forçando isso nos alunos. É uma aula de humanidade.

Muita gente acha que ópera é algo distante. Pensando nisso, o maestro Fabio G. Oliveira, que assina a direção musical, teve a ideia de passar um curta sobre a vida da Maria antes do espetáculo começar.

AT2: Callas teve o seu talento descoberto muito cedo e foi levada a se dedicar ao canto. Você veio de uma família de artistas. A arte era o seu caminho, o seu destino?
Christiane Torloni: A mamãe (Monah Delacy) é atriz e atuou grávida até uns sete ou oito meses. As minhas primeiras babás eram as camareiras.

Então, o teatro é o meu primeiro playground, porque é o meu lugar natural, até de reflexão. Lá fui amamentada, ninada, influenciada e inspirada.

AT2: Este ano, lançou seu primeiro filme como diretora, o documentário “Amazônia – O Despertar da Florestania”. Como viu a tragédia recente dos incêndios florestais na região?
Christiane Torloni: Com muita tristeza. O que falta para a Amazônia é uma política de Estado, não de governo.

A Amazônia é maior que um partido. Não tem nada mais importante para a gente que a nossa casa, o nosso ninho. É ele que agasalha. Só que a Amazônia é o ninho comum, como disse o papa Francisco.


SERVIÇO:

Master Class
O quê: Comédia dramática de TerrenceMcNally, com Christiane Torloni interpretando Maria Callas e grande elenco
Quando: próximos dias 20, 21 e 22
Horários: Dias 20 e 21, às 21h, e dia 22 às 18h
Onde: Teatro da Ufes. Av. Fernando Ferrari, 514, em Goiabeiras, Vitória
Quanto: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) para todos os setores
Venda: bilheteria do Teatro da Ufes ou pelo site tudus.com.br
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Informações: 3376-0933 e wbproducoes.com
Apoio: Rede Tribuna


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