Apesar de ter classificado como inaceitáveis as declarações de Rodrigo Janot, que afirmou ter entrado no Supremo com uma arma para matar o ministro Gilmar Mendes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e sua equipe viram com reservas a ordem do STF de busca e apreensão na casa de um do ex-PGR, na sexta (27).

"Tão logo tomamos conhecimento, o doutor Aras preocupou-se muito e procurou obter informações junto ao tribunal", diz o secretário-geral do órgão, Eitel Santiago.

Fins e meios - Santiago classifica a fala de Janot como "desequilibrada", mas questiona a busca e apreensão por compreender que ali havia apenas o relato de um fato do passado, sem a atualidade necessária para a providência".

No teu lugar - "Eu não vou fazer críticas à atuação de ministros, mas penso que se eu o fosse e um tema dessa natureza chegasse às minhas mãos, eu cuidaria de pedir uma apuração preliminar pelos órgãos encarregados de fazer as investigações", diz.

Com lupa - Santiago, procurador aposentado, comanda a área administrativa e orçamentária do MPF. Ele está levantando os atos da antecessora Raquel Dodge com impacto no atual mandato. Diz que revogará boa parte, exceto aquelas nomeações que sejam fruto de eleições internas. "Aras não veio para criar problema e nem demagogia."

Para trás - Criticado por ter concorrido a deputado pela Paraíba em 2018, Eitel se desligou do PP na semana passada.

Respingo - Integrantes do TRF-4 estão preocupados com o entendimento do STF que pode anular sentenças da Lava Jato, inclusive o processo contra Lula sobre o sítio de Atibaia. O julgamento do caso não deve ocorrer antes do final de outubro e pode nem acontecer a depender de como o Supremo modular a decisão.

Ao que interessa - Em conversa com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na semana passada, o ministro Sergio Moro (Justiça) puxou assunto sobre a CPI da Vaza Toga, protocolada por deputados para investigar mensagens da força-tarefa da Lava Jato obtidas pelo The Intercept e que incluem o ex-juiz.

Deixe estar - Maia o tranquilizou. Disse avaliar que não é o momento de gerar crises entre os Poderes. E que por isso não apoia a CPI da Vaza Toga nem a da Lava Toga –que tem como alvo o STF.

Crise no ninho - Em meio à discussão que teve com o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP) na semana passada no grupo de WhatsApp do PSL, o presidente da sigla, Luciano Bivar, disse que o parlamentar foi orientado por "uma rapina" quando buscou assinaturas para destituí-lo do comando do partido.

Crise no ninho 2 - Bivar também afirmou que tem experiência para se livrar "das raposas que querem tomar o partido". Ambas as estocadas foram direcionadas a Karina Kufa, advogada do PSL, avaliam aliados do deputado. Integrantes do sigla acham que ela é quem tem incentivado Jair Bolsonaro a criticar a legenda.

A volta... - Rodrigo Maia indicou a líderes da bancada evangélica que vai pautar até o final do ano em plenário projeto que trata da criminalização da homofobia. A tendência é que seja um texto de Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que não prevê criminalizar a ação, mas aumenta o tempo de punição para quem praticar atos contra a população LGBT.

...do que já foi - O STF equiparou a homofobia ao crime de racismo, mas definiu que essa tipificação valeria até o Congresso se debruçar sobre a questão. Maia quer um parecer sobre o tema que seja de consenso na Casa. Um nome seria o de Ricardo Izar (PP-SP).

Guia - O PT baseia sua atuação na CPI das Fake News no relatório do Parlamento Inglês sobre o tema. O parecer faz uma série de recomendações e defende, por exemplo, a investigação de empresas de mídias por meio da criação de uma agência regulatória independente. Prevê ainda um código de ética para as firmas.

Ao vivo - O presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) vão se reunir no dia 30 de outubro com Edson Fachin, do STF, para conversar sobre ação contra as políticas de segurança pública do governador Wison Witzel (RJ).

TIROTEIO

"Uma corte que atrapalha as condenações da Lava Jato, atropelando a Constituição, coloca o país numa situação vexatória."

Do senador Marcos do Val (Podemos-ES), sobre decisão do STF que pode atrasar em nove meses conclusão de processo contra Lula.