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Carambola: nutriente ou veneno?
Doutor João Responde

Carambola: nutriente ou veneno?

Entre as saudosas lembranças da infância, surge, em meus pensamentos, o enorme quintal da casa dos meus tios. Naquele terreno arenoso, vicejavam mangueiras, cajueiros, abacateiros, gabiroba, abiu, groselha, fruta-pão, jamelão, pitanga, amora, goiaba, jambo, seriguela, e a deliciosa carambola.

Naquela época, ninguém imaginava que o exótico “fruto estrela” pudesse atuar como veneno.

Carambola é a fruta de uma espécie de árvore nativa da Indonésia e Índia.

Seus frutos são vistosos, com uma forma oblonga, possuindo uma pele fina que varia de verde a amarelo, dependendo do grau de maturação.

É uma fruta adstringente e suculenta, com sabor doce e azedo. Cortado em fatias de forma transversal, ela tem a forma de uma estrela.

O fruto estrela é muito apreciado por conter vitaminas e sais minerais, além de apresentar baixas calorias.

Rica em antioxidantes, essa saborosa fruta oferece diversos benefícios para a saúde, auxiliando no combate à febre, agindo contra o escorbuto, podendo também ser usada como estimulante de apetite.

Carambolas maduras são utilizadas em saladas, geleias e caldas.

O suco da fruta também é usado como tempero.

Apesar de tantos benefícios, o consumo da carambola é problemático, porque a fruta é reconhecidamente perigosa para pacientes com doenças renais, e até para pessoas saudáveis, caso seja ingerida em excesso.

Existem casos de doentes com insuficiência renal que apresentaram sintomas neurológicos após consumirem carambola.

As pessoas com sintomas de intoxicação pela fruta sentem soluços persistentes, fraqueza muscular, agitação e crises convulsivas.

A mortalidade nesses indivíduos é bem elevada, mesmo quando submetidos a tratamento intensivo.
A polpa da carambola possui uma neurotoxina denominada caramboxina.

Este aminoácido atua no sistema nervoso central, provocando hiperexcitabilidade, motivo pelo qual muitos pacientes se tornam agitados, podendo apresentar convulsões.

O fruto é especialmente nocivo para os pacientes com insuficiência renal porque a caramboxina costuma ser eliminada pelos rins, através da urina.

Entretanto, o perigo da carambola não está restrito apenas aos pacientes com insuficiência renal.
Nos últimos anos têm sido descritos casos de intoxicação pela carambola em pessoas saudáveis. Essas situações estão geralmente associadas ao grande consumo da fruta.

Pacientes saudáveis que se intoxicam pela carambola costumam apresentar, além dos sintomas neurológicos, quadros de insuficiência renal aguda, provocada pela deposição renal de cristais de oxalato, um sal existente na carambola.

Consumo exagerado de carambola desencadeia deposição de oxalato nos rins, causando insuficiência renal secundária à nefropatia por oxalato.

Acúmulo de caramboxina no sangue do paciente renal gera intoxicação neurológica.

O primeiro sintoma da intoxicação é o soluço persistente, que não responde a nenhuma forma de tratamento.

Logo a seguir, surgem outros sintomas, como vômitos, dor lombar, fraqueza muscular, formigamento e perda de sensibilidade nos membros, insônia, agitação psicomotora, confusão mental, convulsão, hipotensão arterial, insuficiência respiratória, coma e morte.

O único tratamento efetivo para a intoxicação por carambola é a hemodiálise.

Mesmo os pacientes saudáveis devem ser submetidos a este procedimento, caso apresentem sinais neurológicos de intoxicação pela caramboxina.

No meu quintal tem um pé de carambola. No tronco da majestosa árvore coloquei uma placa, onde se lê:

“Sou a carambola, alimento que nutre, ou veneno que mata. Não me comas, sem antes me conhecer, pois posso te causar deleite ou fazê-lo sofrer”.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista

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