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Capixaba perto de realizar sonho de disputar uma Paralimpíada

Esportes

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Capixaba perto de realizar sonho de disputar uma Paralimpíada


Comemorar seis anos sem quimioterapia foi apenas uma das conquistas de Luíza Guisso Fiorese em 2019. Após se curar de um câncer na perna esquerda, descoberto quando tinha 15 anos e que a obrigou a trocar partes dos ossos do membro por uma prótese, a vida da jovem nascida em Venda Nova do Imigrante, mudou muito nos últimos meses.

Descoberta após uma participação em um programa de TV, a capixaba foi convidada em março, para um teste no time multicampeão de vôlei sentado do Sesi/SP.

Menos de oito meses depois, ela acaba de ser convocada pela primeira vez, para a seleção brasileira que se prepara para as Paralimpíadas de Tóquio 2020. Aos 21 anos e com 1,77m, Luíza vai participar de uma temporada de treinos entre o dia 29 deste mês e 5 de dezembro.

Luíza Guisso Fiorese (Foto: Divulgação)
Luíza Guisso Fiorese (Foto: Divulgação)

A capixaba pretende aproveitar cada cortada e disputa na rede, para evoluir no esporte e realizar o sonho de ir a uma Paralimpíada, algo que permeia seus pensamentos desde antes da descoberta da doença, em 2013 — antes uma Olímpiada.

“Desde que me entendo por gente, eu sou uma atleta. Joguei handebol na infância, mas tive que abandonar o esporte quando descobri a doença. Foi um baque”, conta. “O esporte era minha vida. Ai surgiu a oportunidade no vôlei sentado, e quando eu já não imaginava mais poder disputar uma competição de alto rendimento, estou agora na seleção”, afirma a capixaba.

Na equipe do Sesi/SP, Luíza joga ao lado das principais atletas do País. Mês passado, com a capixaba em quadra, a equipe conquistou o Campeonato Brasileiro.

“O Sesi/SP é o time mais forte do País no vôlei sentado feminino. Foi o meu primeiro brasileiro, mas o time já conquistou o título 14 vezes. Há 12 anos não perde nenhum set, e até disputamos alguns campeonatos masculinos”, explica Luíza.

E as colegas de time têm uma influência ainda maior.
“Me sinto em casa no time. Convivo com pessoas parecidas comigo. Lá todos têm suas limitações. Mas a patologia não é protagonista. Queremos colocar o esporte à frente, mostrar nossas conquistas”, aponta.

Cinco cirurgias na perna para tratar bactéria na prótese

As cicatrizes na perna esquerda de Luíza – resultado de cinco cirurgias realizadas nos últimos anos–, não são maiores que o sorriso que a capixaba sempre carrega no rosto, apesar da sequência de provações que ela teve que enfrentar.

E não foram poucas as batalhas encaradas desde 2013. Com o osso da perna comprometido, ela teve que passar por uma cirurgia para implantar uma prótese no lugar de parte do fêmur, da articulação do joelho e de um pedaço da tíbia.

Luíza Guisso Fiorese (Foto: Divulgação)
Luíza Guisso Fiorese (Foto: Divulgação)

“Teoricamente, seria só essa cirurgia, além de fazer quimioterapia e radioterapia. Só que eu peguei uma bactéria na prótese, que começou a me trazer muitas complicações”, recorda a capixaba.

Porém, foram necessárias mais quatro cirurgias. A última, realizada em fevereiro, foi para a troca da prótese. Antes disso, ela chegou a ficar quatro meses sem andar. “Após implantar a prótese, passei por mais duas cirurgias para combater a bactéria. Na quarta cirurgia, em novembro de 2018, era previsto a troca da prótese, mas a perna estava muito infectada”, relembra.

“Os médicos decidiram tirá-la e fechar sem colocar a nova, e seguir tratando com antibiótico para combater a bactéria. Só depois fiz a quinta cirurgia para colocar a nova prótese, em fevereiro”.

Maior que a primeira, a prótese nova substitui o fêmur quase inteiro e uma parte maior da tíbia. Luíza fica em pé, mas tem dificuldades de locomoção e para dobrar a perna. Mas as dores do tratamento contra a bactéria e a sequência de cirurgias invasivas não tiram a alegria dela, que nesse meio tempo, foi eleita Rainha da Festa da Polenta de Venda Nova do Imigrante.

“Sempre disseram que eu era bonita e devia ser modelo, mas como eu manco muito e não consigo andar direito, não dá para modelar. As vezes faço fotos. Mas participar de concurso de beleza não é muito a minha”, brinca a beldade.

"Pensei que não seria uma atleta"

A Tribuna - A menos de um ano das Paralimpíadas de Tóquio, disputar os jogos passou a ser o seu principal objetivo?

Luíza Fiorese - Vou dar tudo de mim, para estar entre as 12 que vão para os jogos. Curioso que sempre foi um sonho ir para o Japão. Quando entrei para a faculdade de Jornalismo, minha ideia era justamente ir a Tóquio em 2020 para cobrir as Olimpíadas como jornalista esportiva. Agora, surgiu essa oportunidade de ir como atleta. Tanto que eu deixei de pagar a minha formatura para economizar e pagar minhas passagens. Ir como atleta se tornou meu objetivo.

Você joga há apenas oito meses. Com tão pouco tempo no esporte, a convocação para a seleção brasileira foi uma surpresa?
Eu achava que um dia chegaria essa convocação, mas não tão cedo. Achava que precisaria de mais tempo, porque nunca tinha jogado vôlei. Mas na minha vida, tudo que eu me subordinei a fazer eu procurei fazer bem feito. Se fui convocada, é porque eu tenho algo para agregar.

Sua vida esportiva começou antes da descoberta do câncer?
Desde que me entendo por gente, eu sou uma atleta. Comecei no handebol com 9 anos. Joguei até os 15 anos, quando descobri o câncer. O médico falou que eu não poderia jogar mais, porque era um perigo para a perna, com risco de quebrar, e eu não consigo mais correr, manco muito.

Luíza Guisso Fiorese  (Foto: Divulgação)
Luíza Guisso Fiorese (Foto: Divulgação)

Qual foi sua reação ao saber que não jogaria handebol?
Fiquei muito triste de ter que parar. Queria jogar handebol e fiquei sabendo que não seria possível. Isso me criou um bloqueio. Não fui atrás de um esporte paralímpico, nem sabia que me encaixa como deficiente, apenas da prótese me debilitar muito. Eu nem sabia que existia o vôlei sentado.

E como foi que o vôlei sentado surgiu na sua vida?
No fim do ano passado, eu fui em um programa de TV falar sobre o meu tratamento contra a bactéria da minha prótese, e a Gizele Dias, jogadora do Sesi/SP me viu, notou que eu era alta e fez convidou. Fiz um teste e o técnico gostou. Me deram um contrato e hoje sou atleta profissional paralímpica.

A condição da sua perna cria limitações dentro de quadra?
O vôlei sentando precisa de muito deslocamento. Apesar desse deslocamento ser feito com o braço, ter uma perna que não dobra dificulta, mas não me limita. No vôlei sentado é permitido que a perna invada a quadra adversária por baixo. Mas quando estou no meio de rede, minha perna fica quase no meio da quadra adversário, o que acaba sendo um pouco perigoso.


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