Esportes

Esportes

Capixaba fala das dificuldades de jogar na Ucrânia


Camisa 17 do Dínamo Kiev, Sidcley aproveitou a pausa do Campeonato Ucraniano para escapar do frio e curtir uns dias de verão, na Ilha do Boi, em Vitória (Foto: Thiago Coutinho/ AT)
Camisa 17 do Dínamo Kiev, Sidcley aproveitou a pausa do Campeonato Ucraniano para escapar do frio e curtir uns dias de verão, na Ilha do Boi, em Vitória (Foto: Thiago Coutinho/ AT)

Acostumado ao clima quente de Vila Velha, onde nasceu, Sidcley enfrentou dificuldades para se adaptar ao frio da Ucrânia e ao seu clube, o Dínamo de Kiev. Depois da primeira temporada na Europa, porém, o capixaba agora se diz mais preparado para brilhar no Velho Continente, em 2019.

“No começo, foi muito difícil porque o estilo de jogo é diferente, é de mais força. A língua é muito diferente, e você tem que se adaptar o mais rápido possível. Mas agora já entendi como é. O frio é complicado porque não é fácil jogar com 6 ou 8 graus negativos”, explica o jogador, que recebeu a equipe de A Tribuna em uma casa alugada na Ilha do Boi, onde passa férias em Vitória.

E 2018 foi mesmo um ano de muitas mudanças para Sidcley. Após cinco anos no elenco profissional do Athletico/PR, o lateral-esquerdo se transferiu ao Corinthians em fevereiro, por empréstimo.

Em julho, entretanto, o Furacão aceitou a proposta de 5 milhões de euros (cerca de R$ 22 milhões na época) do Dínamo de Kiev, e o capixaba partiu para mais uma mudança. Apesar do sucesso no Brasil, Sidcley chegou a ficar na reserva em seu início na Ucrânia.

“Todo jogador quer chegar e já ir jogando, mas é difícil. Fica um pouco com raiva no começo, mas a gente entende que cada vez mais tem que melhorar. Graças a Deus eu consegui me adaptar rápido. Nesses últimos jogos, atuei 14 vezes como titular e estou gostando. Espero melhorar cada vez mais”, garante o lateral, de 25 anos.

No futebol ucraniano, o capixaba tem atuado mais como meia e ponta esquerda. Mas jogar em sua posição de origem não é do que ele mais tem saudade.

“Sinto muita falta da família porque eu moro sozinho. A minha filha (Ana Clara, de 2 anos) fica muito longe de mim e isso é difícil. É uma fase que ela está aprendendo tudo, conhecendo, eu estou longe, vendo só pela webcam ou chamada de vídeo. Sinto porque sempre convivi com minha família. Mas é o que eu escolhi. Uma hora vai dar tudo certo e todo mundo vai estar junto”.

A hora está chegando. Em 2019, pelo menos, a mãe Lucia, o padrasto Robson, a irmã Thawany e o irmão Starley vão morar com Sidcley em Kiev. Para ele, a casa cheia, com a família por perto, vai ajudá-lo a ter uma ótima temporada.

“Sim, porque fico sozinho lá. Tem hora que não tem ninguém para conversar. Então 2019 vai ser melhor”, acredita.

“Trabalho para estar na Seleção”

A Tribuna — O que achou da mudança de nome do Atlético/PR para Athletico, com 'h', e do brasão do time?
Sidcley — Vi a final da Sul-Americana e achei meio estranho porque não estava acompanhando. Eu fiquei: “Caraca, o que foi que aconteceu?”

Mas você gostou?
Mais ou menos, né! (risos). Por que mudar de uma hora para outra é f... (risos).

Você joga videogame? Agora tem seu boneco no Dínamo...
Sim, muito. Agora eu jogo comigo (risos). Eu tenho que ser o artilheiro do time senão me coloco no banco (risos)! Quando perco um gol, eu falo: “Pô, Sidcley, você não é acostumado a isso” (risos).

E você sabe mesmo fazer gols, mas ainda não balançou as redes pelo Dínamo. Está ansioso para marcar logo?
Sempre! Todo jogador, né (risos). Mas estou esperando a minha oportunidade.

O time passou em primeiro no grupo na Liga Europa e enfrenta o Olympiakos, em 14 de fevereiro, na segunda fase. Pensam em título?
Temos condições e vamos trabalhar forte para isso. É um jogo difícil. Eles têm um time forte, mas espero que dê tudo certo.

Tite tem dado oportunidades a vários jogadores. Pensa em Seleção?
Todo jogador trabalha para isso, para estar na Seleção. Eu, o Tchê-Tchê e o Vitor Bueno (companheiros de time) estamos trabalhando para isso. Agora estamos mais distantes, mas vamos trabalhar porque, assim, Deus abençoa.

Quais seus objetivos para 2019?
Trabalhar forte nessa pré-temporada, algo que eu não tive ainda no Dínamo, para me adaptar mais rápido porque vai estar mais frio, e que dê tudo certo em 2019. Quero buscar o título da Liga Europa e do Campeonato Ucraniano (o time está em segundo, a sete pontos do líder Shakhtar).

Quais conselhos o seu empresário José Oliveira Miranda te dá?
Desde o começo ele conversa comigo. É mais experiente, sabe o caminho certo, por isso escuto muito ele. Minha mãe e meu padrasto também dão conselhos, e amigos mais velhos também. Todo mundo quer o meu bem. Falam para eu ter cuidado, para guardar dinheiro, para fazer de tal jeito porque a carreira de atleta é curta, para ter juízo. Escuto muito eles para no final dar tudo certo e eu parar tranquilo.

Recordações do Timão

Sidcley chegou ao Corinthians em fevereiro, por empréstimo, e realizou o sonho de jogar em um time de massa. O capixaba, porém, ficou menos de cinco meses no clube paulista, já que, em julho, o Athletico/PR aceitou uma proposta milionária para negociá-lo ao Dínamo de Kiev, da Ucrânia.

Apesar da rápida passagem, Sidcley guarda muitas recordações do gigante paulista.

“Sou muito grato ao Athletico/PR porque, desde guri que eu jogava lá e devo muito ao clube. Mas o Corinthians é diferente. Quando você chega ao estádio e vê a torcida... É o que falam, é 'um bando de loucos'. Arrepia de um jeito! Lá dentro é uma coisa de louco”, lembrou.

Sidcley rapidamente assumiu a posição de titular e conquistou o título do Paulistão, em cima do Palmeiras. Além de parte do Brasileirão, o lateral disputou a primeira fase da Libertadores e ajudou o Corinthians a avançar em primeiro lugar no Grupo G.

“Eu me adaptei muito rápido no Corinthians. Também porque Sheik, Jadson, Cássio me deixaram mais à vontade e foi mais fácil. Fábio Carille (técnico) me abraçou de um jeito que parecia que eu estava jogando no Corinthians há anos”.