Cama compartilhada, pode ou não pode?

 (Grazieli Esposti, do Blog  Jeito de Mãe, não compartilha  a cama com os filhos  Henrique, 4, e Bernardo, 7. Foto: Dina Carvalho)
(Grazieli Esposti, do Blog Jeito de Mãe, não compartilha a cama com os filhos Henrique, 4, e Bernardo, 7. Foto: Dina Carvalho)

Quando um novo bebê chega, principalmente de pais de primeira viagem, a dúvida sobre qual é o melhor lugar para ele ficar – em quarto próprio ou com o casal – atormenta a família.

Recentemente, a Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou recomendações atualizadas com o intuito de reduzir a morte dos recém-nascidos enquanto dormem. A entidade passou a aconselhar, por exemplo, que o bebê fique no mesmo quarto dos pais até um ano de vida, mas em superfícies separadas.

O compartilhamento da cama divide opiniões. A psicanalista Kelly Lopes tem dois filhos e não é adepta da cama compartilhada. Para ela, ter o próprio espaço ajuda os pequenos a se tornarem independentes e seguros de si.

“Quando se mantém a criança no quarto dos pais, isso enfatiza a dependência afetiva, como se ela só pudesse estar segura na companhia deles. Isso gera insegurança”.

Para Kelly, é preciso pensar no desenvolvimento da criança como um todo, não apenas em fases fragmentadas. “A independência torna a criança segura, capaz, menos melindrosa e ela acaba gostando mais de ousar e experimentar”.

A jornalista Grazieli Esposti, do Blog Jeito de Mãe, não compartilhou a cama com os filhos Bernardo, 7, e Henrique, 4. Ela decidiu colocar o bercinho do primogênito no seu quarto apenas no 1º mês e, depois que ele foi para o próprio espaço, monitorava o bebê pela babá eletrônica. O segundo filho foi direto para o quarto do irmão.

“Até um ano eu levantei para atender as necessidades deles sempre. Cheguei a contabilizar 20 vezes em uma noite. Acredito que independente do lugar onde o filho dorme, estar ali quando ele precisa é fundamental. Seria mais cômodo ele chorar e já estar ao meu lado? Com certeza! Mas para mim não funcionaria, nunca consegui pegar no sono com um bebê na minha cama”, contou.

Fernanda Perim é blogueira do PsiMama
Fernanda Perim é blogueira do PsiMama
Consultora do sono infantil, psicóloga e educadora parental, Fernanda Perim é a favor da prática. Para ela, cama compartilhada feita de forma segura, além de confiança, promove também a conexão, a amamentação noturna e prolongada, além do sono de qualidade para filhos e pais.

"Quando a criança estiver pronta, vai evoluir pro interesse de não dormir lá mais. Caso os pais precisem antes disso, sugiro a dessensibilização sistemática, ou seja, desacostumar a criança, gradual e gentilmente, e incluir um novo hábito", sugeriu.

As questões que envolvem a criação dos filhos são muito pessoais e devem ser respeitadas. E você, é a favor ou contra? Comente!

Por Luciana Pimentel