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Boqueira, essa incômoda feridinha
Doutor João Responde

Boqueira, essa incômoda feridinha

Queilite angular, chamada popularmente de boqueira, é um pequeno machucado doloroso que ocorre no canto da boca. Trata-se de uma dermatose comum, caracterizada por fissura e inflamação no ângulo dos lábios, denominado comissura labial.

As lesões podem surgir nos dois lados da boca. As comissurites são mais frequentes nos idosos, mas podem aparecer também em crianças e jovens. O quadro clínico vem acompanhado de vermelhidão, inchaço, rachadura, dor e ardência local.

Em alguns casos não existe causa definida de comissurites. Muitas vezes, no entanto, a manifestação aparece quando os cantos da boca permanecem úmidos por muito tempo.

O processo irritativo aparece quando a saliva evapora. Nesse momento, o indivíduo lambe os lábios para aliviar a secura, produzindo umidade. Sangramentos podem surgir quando o ferimento abre ou descama. Ingestão de alimentos ácidos ou salgados pioram os sintomas dolorosos. A queilite em si não irradia para além da comissura labial, exceto se estiver contaminada.

Boqueira não caracteriza uma enfermidade, mas a manifestação de outros estados nosológicos, em que a umidade na boca ocasiona a lesão.

Está relacionada a vários fatores, representados por agentes infecciosos, como estreptococos, estafilococos e cândida albicans; doenças dermatológicas, como dermatite atópica, envolvendo a face e dermatite seborreica; deficiência nutricional de riboflavina, folato e ferro.

Também está relacionada a imunodeficiência causada por HIV, diabetes mellitus, transplantes e câncer; hipersalivação e fatores mecânicos provocando a perda da dimensão vertical de oclusão, com queda do lábio superior sobre o inferior, como ocorre no processo normal de envelhecimento e na ausência de dentes.

Existe uma tendência de relacionar queilite angular com carência de vitaminas, principalmente do complexo B.

Essa causa é exceção e só deve ser cogitada quando existem manifestações de pelagra ou de carência proteica.

As comissurites também podem ocorrer se, após extrações, o paciente não é provido de uma prótese adequada, ou se são feitas restaurações sem levar em conta a necessidade de preservar o acolamento anatômico da fenda labial.

A princípio, o quadro cura rapidamente com medicações nos locais das lesões, devendo ser recomendado ao paciente que evite alimentos picantes e bebidas alcoólicas, que irritam o local.

Em alguns casos serão necessários tratamentos em longo prazo, por via oral, ou cirúrgico.

No controle da queilite angular é fundamental a correção dos fatores desencadeantes como, por exemplo, adequação de próteses dentárias e correção de deficiência nutritiva, terapia da doença de base; assim como o uso de antimicóticos, antissépticos e antibióticos, por tempo prolongado.

Cremes à base de miconazol, nistatina e ácido fusídico, além de soluções tópicas de povidona e mercurocromo, atuam de maneira satisfatória.

Manter a higiene e desinfecção adequadas de próteses dentárias, fontes potenciais de contaminação, são de extrema importância à profilaxia da queilite angular, evitando-se, com isso, as recidivas.

Há casos nos quais é necessária a realização de cirurgia corretiva para levantar os ângulos da boca, não permitindo o acúmulo de saliva nas comissuras.

Candidíase está sempre presente na queilite angular, mas não é a causa primária. Este fungo deve ser naturalmente erradicado, o que favorece a recuperação do tecido.

Como a queilite angular é muito frequente na população mundial, em especial nos pacientes idosos, torna-se necessário medidas profiláticas contínuas.

De que adianta os doloridos lábios emanarem belas palavras, se a crosta exsudativa enfeia a harmonia da boca.

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