Atletas da 3ª idade

Queridos leitores, hoje a coluna terá uma participação especial do amigo pesquisador e mestrando Henrique Viana Taveira. Vejam que massa o trabalho que ele e a equipe do meu professor Rodrigo Vancini desenvolvem na Ufes. E sabem o que é mais interessante? Você pode fazer parte do projeto!

Vamos entender - A prática de atividade física e do esporte torna o processo de envelhecimento menos impactante, minimizando o declínio das funções físicas e biológicas.

O envelhecimento ativo (proposto pela Organização Mundial da Saúde) é o processo de aperfeiçoamento das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas.

Como é que é isso? - A proposta é que as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, e que participem da sociedade (com autonomia e independência) de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades.

Pesquisas apontam que existe uma medicalização do envelhecimento e a ideia que a maioria das pessoas tem é do idoso frágil e acometido por uma variedade de condições clínicas e doenças e, portanto, com baixa capacidade física, mobilidade, independência, autonomia e qualidade de vida.

Uma população que se situa no extremo oposto do espectro de saúde e funcionalidade em relação ao idoso sedentário e frágil é o do atleta competidor da 3ª idade.

Esses atletas competitivos com 60 anos ou mais são dotados de capacidade funcional substancial, saúde geral de longo prazo, alta motivação e perspectivas psicossociais.

Os atletas máster idosos estão combatendo o dogma e os estereótipos negativos do envelhecimento. Cientificamente, a avaliação de atletas com 60 anos ou mais pode fornecer informações sobre a gerontologia preventiva, a prevenção primária de doenças e disfunções relacionadas à idade e práticas médicas baseadas em exercícios físicos.

Além disso, o estudo destes atletas é fascinante, pois pode mostrar o que é possível durante o processo de envelhecimento e demonstrar que o grau de independência e autonomia atingidas pode estar relacionado de forma importante com o estilo de vida ativo.

Nesse contexto, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), liderados pelo Prof. Dr. Rodrigo Luiz Vancini, do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) e do Laboratório de Força e Condicionamento (Lafec), estão cadastrando e avaliando atletas idosos com 60 anos ou mais (de ambos os sexos) que sejam competidores e praticantes de provas de corrida (meia-maratona, maratona e etc.), triátlon, ciclismo (de pista e estrada), natação (provas de piscina e travessias em mar aberto), artes marciais, fisiculturismo, crossfit e etc.

Eles vão participar do estudo intitulado “Avaliação de parâmetros musculares isocinéticos do tronco e do controle postural de idosos com diferentes níveis de atividade física” conduzido pelo pesquisador e mestrando Henrique Viana Taveira.

Os testes realizados consistem em avaliação da força muscular de tronco em dinamômetro isocinético (importante nas tarefas do dia a dia e postura), equilíbrio em plataforma de força (por conta de quedas) e qualidade de vida (por meio de questionários).

Todos os métodos são utilizados em avaliações de atletas profissionais e pessoas com alguma condição clínica e de alta complexidade e custo, porém serão realizados de forma gratuita aos interessados.

Nota - Para mais informações entre em contato por e-mail [email protected] ou por telefone (33) 984083767. Todas as informações fornecidas serão mantidas no mais absoluto sigilo.

Mariana Reis é consultora em acessibilidade e educadora física


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