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Atentado, preconceito e amor no palco

Entretenimento

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Atentado, preconceito e amor no palco


Amélia (Tania Bondezan) é uma severa professora de canto vivendo o luto após perder o filho gay, morto em um atentado a um bar. Sua vida se resume a ficar em casa olhando as fotos do ente querido. Era como se tudo tivesse acabado ali.

Amélia (Tania Bondezan) é professora de canto    de Ramón (Luciano Andrey), sobrevivente de um atentado em um bar (Foto: Divulgação/João Caldas)
Amélia (Tania Bondezan) é professora de canto de Ramón (Luciano Andrey), sobrevivente de um atentado em um bar (Foto: Divulgação/João Caldas)

Já Ramón (Luciano Andrey) é um sobrevivente da tragédia que a procura para melhorar sua técnica vocal com a intenção de cantar no memorial de sua mãe, recentemente morta. E é nesse encontro que seus passados se entrelaçam na peça “A Golondrina”, que estreia no Estado esta semana.

“O interessante nessa história é o que aconteceu com esses sobreviventes, como aquelas pessoas conseguem continuar suas vidas”, contou, ao AT2, a veterana Tania Bondezan, 63, que também é produtora do espetáculo (junto com Ronaldo Diaféria e Odilon Wagner) e tradutora do texto, escrito pelo premiado autor espanhol Guillem Clua.

A peça é inspirada no ataque terrorista à boate gay Pulse, em Orlando (EUA), que deixou 50 mortos em 2016, e já foi montada em Londres e na Espanha (com a consagrada Carmen Maura), ganhando vários prêmios internacionais.

A versão brasileira, com sete meses nos palcos, tem recebido ótimas críticas, rendendo à Tania a indicação de Melhor Atriz no 32º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. A direção é de Gabriel Fontes Paiva.

“Quando comecei a ler o texto, pensei: 'Meu Deus, preciso falar disso. É um texto absolutamente atual, que fala de aceitação, empatia e amor, de uma realidade que não é só brasileira”, disse a atriz.

E comentou a reação do público: “As pessoas choram, mas de emoção, não de tristeza. Tão importante quanto fazer rir é colocar para fora os diabos que temos dentro de nós e sairmos do teatro mais leves”.

Confira entrevista com a atriz Tania Bondezan:

AT2: Como surgiu a oportunidade de fazer esse espetáculo?
Tania Bondezan: Procurei o Ronaldo Diaféria, com quem fiz uma peça, em busca de novos textos e ele veio com esse. Quando fui lendo, traduzindo, as palavras entraram na minha boca.

Me emocionei demais quando li e acho que é um texto que chega em um momento superoportuno. Depois mostrei para o Odilon Wagner, que é um parceiro de muitos anos, e ele aceitou ajudar a produzir.

AT2: Como tem sido rodar com esse espetáculo?
Tania Bondezan: “A Golondrina” é nossa paixão. Ficamos cinco meses em cartaz em Vitória e há dois estamos rodando com o espetáculo. Será a primeira vez dele em Vitória. A última vez que estivemos aí foi com “Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa”, uma comédia que rodamos há sete anos.

A peça causa uma comoção, as pessoas soluçam. Em algum lugar todo mundo se vê representado. Você não precisa ter um homossexual na sua vida para se ver representado na mulher que faço. Ela comove muito, toca as pessoas de uma maneira que está difícil ver outra.

O Odilon, que está completando 50 anos de carreira, disse que é a primeira vez que pega uma peça com esse potencial e eu, com 40 anos de estrada, digo a mesma coisa. Ela é tocante demais. Fora que está indo para o mundo inteiro. Em breve, vai estrear nos Estados Unidos.

A Carmen Maura, que faz a minha personagem na Espanha, me mandou um vídeo falando que eu ia ver como todos iam se emocionar. A história da peça não é só uma realidade brasileira, é uma realidade mundial. A comoção que ela sente lá, a gente sente aqui.

São dois personagens sobreviventes. Eles choram juntos, você vai descobrindo pontos em comum entre eles e um faz um bem danado pro outro, se apoiam.

AT2: Os personagens estão em harmonia durante todo o espetáculo?
Tania Bondezan: Eles brigam muito para chegar nesse lugar de conversa e chegam nele através da emoção e do amor. Claro que nisso tudo se fala de liberdade de escolhas.

O ponto de vista do rapaz é mais progressista e, durante a peça, é ela que vai se modificando. Ele chega já com a cabeça feita e ela aprende ali na hora. O que falta no mundo é olhar para o outro com empatia. Quando quis rodar o Brasil com esse espetáculo foi porque queria levar essa mensagem.

AT2: Quem é Amélia, essa mulher que te deu uma indicação ao Prêmio Shell?
Tania Bondezan: Ela é uma mulher seca, que está lidando com o luto. Não sei como é a montagem em outros países, mas optamos por um mergulho radical. As pessoas têm a sensação de entrarem na casa dessa mulher, ficam constrangidas para saber aonde aquilo vai. Tem sido uma experiência incrível.

Estava há sete anos fazendo uma comédia, então entrar nisso está sendo maravilhoso. O barato do ator é você poder experimentar tudo.

AT2: Tem um pouco de música nesse espetáculo, já que sua personagem é uma professora de canto?
Tania Bondezan: Sim. O Luciano Andrey é um grande ator de musical e foi por isso que o convidei. Ele canta duas vezes porque o autor pede isso no texto. A peça já começa com a aula de canto.


Serviço:

“A Golondrina”
O quê: Espetáculo com Tania Bondezan e Luciano Andrey
Quando: Quinta, sexta e sábado, 20h
Onde: No Sesc Glória, Centro, Vitória
Ing. (1º lote/meia): Plateia e Mezanino a R$ 40 e Balcão a R$ 30
Venda: blueticket.com.br
Distribuição de 300 ingressos gratuitos para a população de baixa renda, idosos, pessoas com deficiência e alunos de escolas públicas. É preciso se inscrever na plataforma digital ‘Eu faço Cultura’ (www.eufacocultura.com.br ) para receber o benefício
Clas.: 14 anos. Menor só com responsável legal
Inf.: 3232-4750


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