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Ataques diminuem, e Fortaleza começa a retomar normalidade


Sete dias depois do início dos ataques criminosos no Ceará, mudou a origem do cheiro de queimado no ar de Fortaleza. Se antes o odor era causado por ônibus e prédios incendiados, agora pessoas estão colocando fogo em lixo acumulado pelas ruas, principalmente na periferia da cidade.

As ações criminosas atribuídas a facções criminosas diminuíram –na sétima noite houve menos relatos de atentados do que nos dias anteriores. Isso ocorre após o reforço de mais membros da Força Nacional de Segurança, que já tem mais de 400 homens ajudando no policiamento, e da chegada de policiais militares cedidos por Bahia e Piauí.

No total, mais de 170 atentados ocorreram, com o ápice no sábado (5), com mais de 50. Esse número foi caindo para 35 (domingo, 6), 17 (segunda, 7) e por volta de dez na terça (8). Entre a noite de terça (8) e madrugada desta quarta (9), a polícia impediu mais um ataque a viaduto, seria o terceiro, dessa vez na Barra do Ceará, em Fortaleza. O suspeito preso confessou que atacaria uma ponte na região.

Até o momento, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, 215 suspeitos de participação nos ataques foram presos ou apreendidos. Numa tentativa de controlar a onda de violência que atinge o estado, 20 presos do Ceará foram transferidos para o presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

De acordo com informações do Ministério da Justiça, a ação foi tocada pelo Departamento Penitenciário Nacional, a Polícia Rodoviária Federal e o governo do Ceará na madrugada desta quarta-feira (9), por volta de 2h da manhã –o procedimento foi finalizado por volta de 4h30.
Novas vagas poderão ser criadas se houver necessidade, segundo o ministério.

"Houve redução significativa das ações criminosas na capital e interior, mas o trabalho dos nossos profissionais de segurança seguirá no mesmo ritmo para garantir a ordem e proteger a nossa população", escreveu o governador Camilo Santana (PT) em uma rede social.

Na madrugada de quarta (9) uma concessionária foi alvejada por tiros na capital, a terceira atacada desde o início dos atentados. Não houve, porém, relatos de ataques a ônibus –ao menos 25 já foram queimados no estado desde quarta (2) passada. O sindicato das empresas de ônibus informou que 100% da frota esteve nas ruas nesta quarta (9). Agentes da Força Nacional estiveram nos terminais e policiais militares entraram nos veículos para acompanhar o trajeto de linhas.

A coleta de lixo, no momento, é um problema na capital. Moradores de regiões periféricas relatam muito lixo acumulado nas ruas. Há locais que o caminhão não passa há pelo menos quatro dias.
Muitas pessoas estão queimando o lixo, para evitar o mau cheiro. A reportagem tentou contato com a empresa responsável pela limpeza urbana de Fortaleza, mas não obteve resposta.