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Artilheiro em país com gangues e bruxaria

Esportes

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Artilheiro em país com gangues e bruxaria


El Salvador, Vanuatu, Vietnã, Tailândia e Indonésiasão destinos alternativos para quem quer viajar. Mas são aindamais exóticos para a prática do futebol. Em busca de dinheiro e projeção internacional — tentando aparecer para grandes centros —, capixabas têm se aventurado em destinos curiosos e enfrentado dificuldades e situações inusitadas.

Um dos que atravessaram fronteiras é Ricardinho Ferreira. Natural  de Conceição da Barra, em 2014 ele deixou o futebol capixaba, onde é conhecido como Ricardinho Paraíba e atuou em clubes como Vitória, Estrela e Desportiva.

Hoje, é ídolo em El Salvador. No país da América Central, ele se tornou o maior artilheiro da história do Santa Tecla, com 75 gols, e atualmente defende o Isidro Metapán no Campeonato Salvadorenho.

Ricardinho comemora mais um gol  (Foto: Divulgação/ Isidro Metapan)
Ricardinho comemora mais um gol (Foto: Divulgação/ Isidro Metapan)
A competição teveum episódio classificado como bruxaria pela própria imprensa local no dia 20 de abril, quando foram encontrados 12 crucifixos enterrados no gramado do estádio Ana Mercedes Campos, antes da partida entre Sonsonate e Firpo. “Vimos isso, realmente aconteceu. Foi alguma coisa de bruxaria. Mas nunca passei por nada disso. Foi até uma surpresa”, conta Ricardinho.

O atacante, de 32 anos, tem sido “abençoado”. Na atual temporada, já fez nove gols em 12 partidas. Em seu sexto ano em El Salvador, ele comemora nunca ter sofrido com a insegurança que constantemente ameaça a população, com as atuações das gangues de narcotráfico Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18, que também agem nos Estados Unidos.

“Uma vez me ligaram, eu retornei e era de dentro de um presídio. Hoje moro em Metapán, que é interior, um lugar tranquilo e diferente da capital (San Salvador), onde você tem que saber para onde está indo. Mas nunca aconteceu nada comigo e com minha família”, lembra.

Feliz da vida em El Salvador, Ricardinho teve papel de carrasco contra o ex-clube, Santa Tecla — que tem o uruguaio Loco Abreu como técnico —, no último dia 9, quando o Metapán venceu por 1 a 0 com gol do capixaba, no jogo de ida das quartas de final do Campeonato Salvadorenho. “Viver aqui é bom e, financeiramente, é muito bom. Se eu chegar hoje no futebol capixaba e falar para me pagarem pelo menos a metade do que eu ganho aqui, vão falar que eu estou doido!”.

Treino debaixo de chuva de mísseis

Thiago de Freitas é um andarilho do futebol. O capixaba já atuou em oito países e tem muita história para contar, como quando “fugiu” de mísseis em Israel. Em 2013, o meia estava perto de assinar com o clube Askhelon, de Ashdod, mas não sabia que a cidade fica próxima à Faixa de Gaza, território localizado entre Israel e Egito, na costa oriental do Mar Mediterrâneo, no Oriente Médio.

A zona sofre constantemente com conflitos políticos e religiosos envolvendo palestinos, israelenses e o grupo islâmico Hamas. “No treino, os jogadores falaram: 'Está vendo aquela fumaça lá? Aquilo é míssil'. Aí eu: 'O quê?'. Eles falaram para ficar tranquilo porque estava longe e tinha o sistema de defesa também”, lembra.

Thiago de Freitas agora defende o  Ottawa Fury,do Canadá (Foto: Divulgação/Ottawa Fury)
Thiago de Freitas agora defende o Ottawa Fury,do Canadá (Foto: Divulgação/Ottawa Fury)

Thiago, entretanto, continuou tenso e desistiu de reforçar o Askhelon depois de um novo episódio envolvendo mísseis na região, durante outro dia de treino. “Tocou a sirene e, quando toca, você tem que procurar abrigo porque pode ter algum míssil no ar ou destroços dele. Fiquei desesperado mas eles falaram: 'Ô, Thiago! Vamos treinar!'. Eu disse: 'Espera aí, olha o negócio ali!'. E eles:'Você acha que vai cair na sua cabeça?'”, conta, rindo.

Mais longe do perigo, o capixaba também defendeu as cores do Ramat haSharon, no país. Além de Israel e Brasil, onde atuou na base do Fluminense, Thiago também jogou em outros seis países: Itália, Alemanha, Portugal, Hungria, Grécia e Canadá, onde hoje defende o Ottawa Fury.

“Hoje sei me adapta rmuito melhor,mas no início foi muito diferente para mim na Alemanha porque o idioma é muito difícil, a cultura, o clima, e eu era muito jovem. Hoje a minha cultura não é mais a do Brasil, está misturada com várias culturas”, explica.

Com 32 anos, Thiago está em fase final de recuperação de uma lesão na coxa direita para ajudar o Ottawa Fury na USL Championship, liga disputada entre times canadenses e norte-americanos. Ele foi contratado em janeiro, depois de atuar no Cova da Piedade, de Portugal. O capixaba, que nasceu em Vitória, vive com sua mulher em Ottawa e não faz planos para voltar ao Espírito Santo. “Não penso em voltar. A ideia é finalizar a carreira aqui e depois trabalhar na formação de novos jogadores, desenvolvendo o futebol aqui no Canadá”, conclui.

Chance de viver na Tailândia

Repleta de praias paradisíacas, a Tailândia é um paraíso alternativo para jogadores brasileiros.O campeonato está crescendo e conta com 26 brasileiros na atual edição da primeira divisão. Um dos que agarraram essa chance é o capixaba Thiago de Jesus, mesmo na segunda divisão tailandesa.

O volante jogou na base do São Mateus, de sua cidade natal, e chegou a abandonar o futebol aos 19 anos, depois da morte do pai. Foi, então, trabalhar com operação de sonda de perfuraçãode petróleo e gás, ajudante de pedreiro e pintor, além de outros “bicos” em lojas e bares.

Thiago de Jesus atua na segunda divisão da Tailândia (Foto: Reprodução/ Instagram Voltofficial)
Thiago de Jesus atua na segunda divisão da Tailândia (Foto: Reprodução/ Instagram Voltofficial)
Nas folgas, atuava no time amador Ribeirão e assim foi novamente chamado para voltar ao São Mateus. Resolveu aceitar a nova chance, aos 23 anos. Entretanto, a vida dele mudou de vez quando o capixaba Márcio Rosário, ex-zagueiro do Fluminense, o convidou para embarcar com ele para a Tailândia.

Thiago não foi contratado pelo Suphanburi, time onde Márcio Rosário jogou, mas foi descoberto por um empresário africano que o levou para o Uijeongbu,da Coreia do Sul. “Lá eu comi cachorro sem saber. Quando me falaram eu xinguei todo mundo! Fiquei com trauma, toda carne eu checava para ver se não estava 'dando bote errado'. Fiquei um bom tempo comendo ovo e peixe (risos)”, conta aos 27 anos.

Depois do perrengue sul-coreano, o volante finalmente recebeu a oportunidade na Tailândia, onde atuou pelo Samutsongkhram. Hoje, defende o Rayong. “Vim do amador e no São Mateus ganhava cerca de R$ 800. Hoje ganho umas 10 vezes mais. Então, a Tailândia para mim é um ótimo destino”, garante o jogador que é casado com uma tailandesa, com quem tem um filho.

“Pepeta do Mal” em paraíso da Oceania

Pepeta ganhou música da torcida do Rio Branco (Foto: Shane Wenzlick/www.phototek.nz/O)
Pepeta ganhou música da torcida do Rio Branco (Foto: Shane Wenzlick/www.phototek.nz/O)

“Espiritu Santo”,com a grafia escrita dessa maneira mesmo no idioma local, foi a primeira entre as 83 pequenas ilhas que compõem o arquipélago de Vanuatu a ser descoberta, em 1606, pelo explorador português Pedro Fernandes de Queirós.

Coincidentemente, um capixaba é quem explora hoje o pequeno país da Oceania: Pepeta, campeão capixaba pelo Rio Branco, em 2015. Em fevereiro, o atacante nascido em Cachoeiro de Itapemirim disputou a Liga dos Campeões da Oceania pelo Erakor Golden Star e fez um gol logo na sua estreia, na terceira rodada.

Atualmente, ele atua no Galaxy FC, pelo qual conquistou o título do Campeonato de Vanuatu, com 10 gols marcados, e a classificação para a Liga dos Campeões da Oceania 2020. As aventuras de Pepeta na Oceania, entretanto, começaram em 2016, quando ele vestiu a camisa do Amicale, de Vanuatu. Em 2017, jogou pelo Rewa, de Fiji.

A populaçãode Vanuatu é 98% formada por nativos (Ni-Vanuatu), com cultura similar à indígena. As línguas oficiais são bislama, francês e inglês, além de outros idiomas e dialetos. Por isso,o apelido do capixaba é difícil para os torcedores. “Sou chamado de 'Pepeti', 'Pepeto'(risos). Mas o importante é que eles me adoram”, conta Pepeta, aos 31 anos.

Como você foi parar e Vanuatu?

Conheci Diego Benedito em Sergipe, jogando pelo Estanciano. Ele estava com contatos em Vanuatu e me perguntou se eu iria e eu disse: “Lógico que sim!”.

Como é o futebol em Vanuatu e Fiji?

Com bons jogadores e muita raça e vontade.Os campeonatos são bem disputados.

Você já disputou duas Liga dos Campeões da Oceania e não passou da fase de grupos. Como é o nível da competição?

O nível dos times é altíssimo. Não conseguimos a classificação por detalhes. Espero jogar a terceira e continuo sonhando em chegar à final.

Como é morar em Vanuatu?

Morar aqui é bom demais, com pessoas extraordinárias, simples, humildes, trabalhadoras e sonhadoras. Os estrangeiros são bem tratados. Eles gostam de turistas porque trazem dinheiro, já que eles vendem frutas fazemos transportes para as ilhas.Tive um pouco de dificuldades no começo para me alimentar, mas comigo não tem frescura!

Como tem feito para se comunicar?

Então... Estou aprendendo um pouco do inglês, só que é uma língua muita difícil de se falar e sempre “quebro ”um pouco (risos).

Você virou xodó da torcida do Rio Branco, que cantava: "Pepeta do Mal, é sensacional!". Aí também tem música para você?

Eles até fizeram um música, mas em inglês, pouco se entende (risos). Mas a música que a torcida do Rio Branco fez para mim não tem igual, né? Respeito máximo!

Sente saudades de jogar pelo Rio Branco?

Sinto muita saudades. Fui muito feliz e reconhecido pela torcida e tenho esperança de um dia voltar.

Em casa no Vietnã

Desde que amanheceu pela primeira vez no Vietnã, em maio de 2017,o capixaba Wander Luiz não viu resquícios de uma guerra que durou 16 anos no país. Ele atua por lá há dois anos e vive fase artilheira desde então.

De 1959 a 1975, Vietnã do Norte e Vietnã do Sul travaram uma guerra que vitimou mais de 1 milhão de pessoas. O lado Norte queria unificar o Vietnã e venceu a guerra que destruiu grande parte do país e foi tema de vários filmes, como “Bom Dia, Vietnã” (1987), “Nascido para Matar” (1987), “Platoon” (1986) e “O Sobrevivente” (2006).

“Quando você chega ao Vietnã não tem visão de um país que passou por uma guerra. O país se recuperou muito rápido e tem um povo muito bacana, solícito e sempre sorrindo. Você não vê pessoas fechadas como se fosse um povo sofrido, pelo contrário”, relata.

Para viver em paz no Vietnã, o atacante, porém, teve logo que aprender a falar em inglês. “Grande parte da população fala inglês porque o país vive pelo turismo. Também não sabia o idioma vietnamita, obviamente. Mas estudei e hoje consigo me comunicar bem”, conta o jogador de 27 anos, que nasceu em Cariacica.

No futebol capixaba, Wander teve passagem apagada pela Desportiva, em 2015, mas se destacou pelo Sport/ES em um torneio disputado no Vietnã, no ano anterior, o que abriu portas para ele no país em 2017. Em 2018, Wander marcou 13 gols pelo Can Tho, depois de passagem pelo Long An. Atualmente defende o Becamex Binh Duong e já marcou seis gols neste ano.

Terremoto, tsunami e vulcão não assustam Patrick Mota

Nem mesmo terremotos, tsunamis e vulcões impediram Patrick Mota de realizar a sua primeira aventura fora do país, na Indonésia. No último dia 24, o meia reforçou o PSIS Semarang, da primeira divisão do país transcontinental.

Localizada entre a Ásia e Oceania, a Indonésia é o maior arquipélago do mundo, com surpreendentes 17.508 mil ilhas. Entretanto, sofre constantemente com desastres naturais. “Eu não sabia onde ficava a Indonésia. Fui pesquisar para saber o clima, para saber se tinha tsunami e terremoto, e fiquei sabendo que tinha”, lembra o jogador, que nasceu no Rio de Janeiro, mas se mudou para o Espírito Santo aos 14 anos e passou pelo Santos de Aribiri, de Vila Velha.

Em 2018, terremotos e duas tsunamis causaram a morte de 2 mil pessoas na ilha de Sulawesi, que também foi afetada no dia 12 de abril deste ano por um terremoto de 6.8 pontos na escala Richter, que não causou vítimas. No último dia 7, o Vulcão Sinabung entrou em erupção e assustou moradores da ilha de Sumatra, sem deixar feridos.

Preocupado, Patrick procurou amigos brasileiros que jogaram na Indonésia e que o tranquilizaram, afirmando que os locais onde as equipes jogam não correm perigo. “Minha família falou: 'é muito longe, tenho medo, não vai valer a pena'. Mas falei que era uma coisa boa para a carreira e financeiramente também. Vim logo, por mais que o pessoal falasse que era arriscado. Estava confiante”.


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