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Após tentar vender luvas, Esquiva Falcão faz vaquinha para comprar carro

Esportes

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Após tentar vender luvas, Esquiva Falcão faz vaquinha para comprar carro


Esquiva virou entregador de pizzas para ajudar nos negócios da esposa Suellen (Foto: Reprodução Instagram)
Esquiva virou entregador de pizzas para ajudar nos negócios da esposa Suellen (Foto: Reprodução Instagram)

Apostar em um novo negócio durante a pandemia foi o que Suellen Marques do Nascimento fez. Tendo o marido, o boxeador e medalhista olímpico, Esquiva Falcão, como garoto propaganda e entregador das mini-pizzas produzidas por ela, as encomendas cresceram e o empreendimento começou a decolar mesmo com o mundo vivendo um momento de crise.

No entanto, o carro usado por Esquiva para fazer as entregas das mini-pizzas, momento em que ele tira foto com fãs e apresenta a eles a medalha de prata, conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, “bateu” o motor e o boxeador agora precisa improvisar para garantir que ele e os alimentos cheguem até o destino da encomenda.

Esquiva anunciou na internet que venderia as luvas de boxe para ajeitar o motor do carro, porém contou que os fãs comentaram na publicação e sugeriram que ele fizesse uma vaquinha online para arrecadar o dinheiro.

Quando viu o preço de um motor novo, destaca ele, viu que não compensava e decidiu aumentar a meta para a aquisição de um veículo novo, dando o atual com parte do pagamento e dar continuidade as entregas das pizzas. Tudo isso explicado aos fãs.

4, 2020

De acordo com o atleta, o preço de um motor novo fica na faixa de R$ 20 mil. A primeira vaquinha foi de R$ 10 mil. Mas, ao descobrir o preço de um motor novo, a meta passou a ser de R$ 55 mil para ajudar na compra do veículo.

“Publiquei a vaquinha e a galera conseguiu bateu a meta da vaquinha e em um dia, que era para o motor do carro. Era de R$ 10 mil, porque seriam R$ 6 mil do motor e R$ 4 mil da mão de obra. Agradeço a todos que ajudaram, mas, depois eu vi o preço do motor, e deu uma desanimada. Aumentei a vaquinha e publiquei falando que, se alguma empresa de automóveis que pudesse ajudar com um carro, eu doaria o dinheiro da vaquinha todinha para comprar cestas básicas e distribui-las aqui no Estado”, afirmou Esquiva.

Até o final da tarde desta quinta-feira (4), a vaquinha virtual arrecadou cerca de R$ 18.600 da meta de R$ 55 mil. “A minha necessidade hoje é o carro”, disse ele.

Sem carro próprio para as entregas, o boxeador tem “dado seus pulos”, como ele mesmo define as estratégias encontradas para esse momento.

“Tenho um amigo que é motorista de aplicativo e ele esta nos ajudando muito. A gente combina um pouco mais tarde e começa as entregas pelas 19h. A gente fica cerca de 3 horas entregando pelo valor fechado com ele”, explicou.

O capixaba conta que fica alegre em receber o carinho dos fãs durante as entregas das pizzas, que são “um nocaute na fome”, segundo ele.

“Teve um amigo de Minas Gerais que pediu pizza para o amigo dele que estava aqui em Vila Velha e era meu fã. Ele chorou de emoção, quando fui entregar a pizza. Uns quatro fãs já choraram, colocaram medalha, tiraram foto. É uma coisa que tem sido diferente para mim, mas é muita alegria”, confessa ele.

“É uma vergonha para o Brasil e para o Espírito Santo”, dispara Esquiva

Esquiva com a medalha olímpica (Foto: Divulgação)
Esquiva com a medalha olímpica (Foto: Divulgação)
Acostumado coma dureza da vida, Esquiva Falcão esperava que as coisas mudassem um pouco depois da medalha olímpica. Pela conquista alcançada, o pugilista foi agraciado pelo Bolsa Atleta, onde o governo repassa um valor mensal.

No entanto, ao se profissionalizar, Esquiva perdeu o direito a renda que vinha do programa estadual. Em seu cartel profissional, o capixaba está invicto, tendo feito 26 lutas e vencido 18 delas por nocaute. Ele ocupa a 5ª colocação no ranking mundial de sua categoria, os pesos-médios, pela Federação Internacional de Boxe.

Apesar da fama e de não precisar mais provar seu valor, Esquiva enfrenta dificuldades para encontrar patrocínios.

“Primeiro uma vergonha para o Brasil um medalhista ter que fazer vaquinha para comprar o carro e vergonha maior ainda para o Espírito Santo. Sou brasileiro, mas eu represento o Espírito Santo, eu nasci aqui eu saí daqui. Eu acho que é um avergonha para o Estado e não para mim. O Estado do Espírito Santo virou as costas depois que consegui a medalha e virei profissional”, disparou.

Recentemente, o lutador surpreendeu os fãs ao colocar em venda a tão sonhada medalha olímpica pelo preço de R$ 50 mil, mas depois desistiu da venda.

“Eu não tenho patrocínio, apoio. Sou um medalhista olímpico só quando ganho medalha. Agora, não sou mais. Eu acho vergonha ter um medalhista e não apoiar ele. O Espírito Santo tem muito talento nos esportes, mas está perdendo para as drogas e tráfico, porque não tem apoio, estrutura para treinar e ninguém para ajudar ele”, lamentou.

Esquiva explicou que tinha patrocínio de um site de venda de materiais esportivos, mas com as mudanças na empresa, não houve renovação de contrato. Atualmente, uma empresa americana de materiais esportivos é que fornece a ele os itens necessários para treinamentos.

Até 1 mil pizzas diárias

O negócio que começou de forma despretensiosa, no começo de maio, tomou proporções gigantes após a divulgação na internet. Foi assim com a “Suh Delícias”, de Suellen Marques do Nascimento, esposa de Esquiva Falcão.

 (Foto: Acervo Pessoal)
(Foto: Acervo Pessoal)
As mini-pizzas caíram nas graças dos clientes e a produção diária passou de cerca de 300 massas para até 1 mil. Para tanto trabalho, a compra de um cilindro, mesmo que do modelo mais básico, para abrir as massas foi essencial para dar conta da grande demanda.

“Eu fazia a massa com o Esquiva de forma manual. A gente abria a massa, que não é fácil, e depois fazia o corte das mini-pizzas. Com o cilindro, ele abre a massa e a gente corta. Isso agiliza”, explicou ela.

Abrir o próprio negócio era um sonho para Suellen. “Queria ter o meu negócio. Falei para ele que, da mesma forma que ele conseguiu chegar ao topo, eu falei que também queria o apoio dele, mas que conseguiria fazer meu negocio”, lembrou ela.

Hoje, até mesmo pedidos de fora do Estado são feitos, mas como não é possível entregar fora do Espírito Santo, Esquiva conta que essas pizzas serão doados a quem precisa de alimento e não tem condições de comprar.

“Muita gente está pagando dois ou três pratos e pede para doar. A gente marca o pedido deles e vamos tirar um dia para doar essas mini-pizzas para moradores de rua, pessoas que não tem condições de comprar. Já tem mais de 20 pratinhos doados. Vamos tirar uma semana para só fazer doação”, disse ele.

Secretaria de Esportes

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Esportes (Sesport) para responder Esquiva Falcão. Em nota, a secretaria disse que "durante o período de novembro/2013 e outubro/2014, o atleta recebeu R$ 4 mil mensais da Sesport, referente ao programa Bolsa Atleta, totalizando R$ 48 mil. A partir de novembro de 2014, o benefício do atleta foi suspenso, após denúncias que ele havia se mudado do Estado, descumprindo diretrizes do edital da época".

Ainda de acordo com a secretaria, desde então, o atleta nunca mais pleiteou o benefício oferecido. Ressalta ainda que o Bolsa Atleta pode ser solicitado por atletas profissionais, "portanto a alegação de que o benefício foi cortado por essa razão não procede", diz na nota.

A Sesport finaliza a resposta declarando que "mesmo durante a pandemia, o Bolsa Atleta segue sendo pago integralmente pela Sesport a todos os 121 atletas e paratletas contemplados no último edital, auxiliando todos durante este período de pandemia".


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