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Após 23 dias em tratamento contra câncer, Covas terá alta nesta quinta

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Após 23 dias em tratamento contra câncer, Covas terá alta nesta quinta


Após 23 dias internado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) receberá alta até o fim da tarde desta quinta-feira (14) do hospital Sírio-Libanês, onde faz tratamento de um câncer na região do estômago. 

O anúncio foi feito pela equipe médica liderada pelo infectologista David Uip, em um auditório no hospital. O prefeito já passou por duas sessões de quimioterapia e ainda deve passar por uma terceira.  "O prefeito reagiu muito bem às duas sessões de quimioterapia", disse Uip.

Segundo o médico, Covas será liberado com a recomendação de que fique em casa durante o fim de semana. Na próxima segunda, ele deve voltar ao gabinete, embora deva evitar eventos com grande aglomeração. "Ele tem que guardar energia, não vai se expor a multidões"

Covas está internado desde o dia 23 de outubro, quando se tratava de uma infecção de pele. No dia 28, ele recebeu diagnóstico de câncer localizado entre o estômago e o esôfago, com metástase no fígado. 

A quimioterapia poderia ser feita de maneira ambulatorial, mas a internação se alongou devido ao tratamento de uma embolia pulmonar e, depois, a um coágulo -que diminuiu nos últimos dias.
Quem convive com Covas diz que ele não aparenta nenhum efeito das duas sessões de quimioterapia pelas quais passou.

Após 23 dias internado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) receberá alta até o fim da tarde desta quinta-feira (14) do hospital Sírio-Libanês. (Foto: Gilberto Marques/Governo de São Paulo)
Após 23 dias internado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) receberá alta até o fim da tarde desta quinta-feira (14) do hospital Sírio-Libanês. (Foto: Gilberto Marques/Governo de São Paulo)

A reportagem analisou os últimos dez dias de internação do prefeito e o mesmo período antes da internação. Embora tenha diminuído o número de horas entre o primeiro compromisso do dia e o último -passou de de 8,4 horas por dia para cerca de 6,4 horas-, o tucano aumentou o número de itens de sua agenda.

Ele teve, em média, 8,8 compromissos por dia, contra 7,5 nos dez dias antes da internação -índice que também se deve em parte pelo fato de que, internado, Covas não participa de eventos externos e não gasta tempo se deslocando.

O tucano, que já faz articulações pela sua reeleição, aumentou a presença de políticos de relevo na agenda, o que incluiu nomes que podem fazer diferença na corrida eleitoral.

Recebeu visitas de figuras que podem ser concorrentes ou aliados durante a busca pela reeleição, como Celso Russomanno (PRB) e Márcio França (PSB). 

Desafeto do principal apoiador de Covas, o governador João Doria (PSDB), França visitou Covas na tarde de terça (12), no hospital. O ex-governador, que foi amigo do avô de Bruno, Mario Covas (PSDB), tem boa relação com o prefeito.

No entanto, se resolver concorrer à prefeitura, com o recall obtido nas últimas eleições ao governo, pode roubar votos do tucano. Já com Russomanno, que desidratou após sair na frente nas últimas duas eleições municipais, ocorrem conversas para que ele possa ser vice na chapa de Covas.

Outro nome cotado para a disputa municipal, Gabriel Chalita, também apareceu no hospital nesta terça.

Covas também recebeu visitas de tucanos históricos, como o ex-governador Geraldo Alckimin e o ex-senador Aloysio Nunes, além do próprio Doria. 

Aliados do prefeito dizem que ele faz política o tempo todo, mas que várias das visitas também foram de amigos e pessoas próximas dele que também são políticos. Além disso, eles acreditam que, apesar dos flertes, Covas só tomará decisões importantes, como a escolha do vice, no meio do ano que vem.

Do primeiro escalão do secretariado, o tucano mantém contato constante com os secretários Mauro Ricardo (Governo), Marco Antonio Sabino (Comunicação) e Orlando Faria (Casa Civil), entre outros. 

Durante o período no Sírio, demonstrou otimismo e mergulhou no trabalho. Ele passou poucos dias sem compromissos oficiais enquanto estava internado, antes de retomar os despachos com secretariado e outros compromissos. 

Mesmo com prognóstico de que não demoraria a receber alta, Covas ordenou manter o mesmo calendário de anúncios de medidas da prefeitura. Entre as mais importantes e possíveis vitrines eleitorais estão o edital de concessão do autódromo de Interlagos à iniciativa privada e o novo programa para compra de vagas avulsas em creches.

Covas adotou o hábito de mandar um pronunciamento em vídeo para ser vinculado durante os eventos e entrevistas coletivas, material que também é reproduzido em suas redes sociais. 
Durante o período em que ficou internado, ele teve aumento de seguidores na internet -no Instagram, rede que ele usa com mais frequência, foram mais de 10 mil, do total de 84 mil.

O tucano também recebeu líderes religiosos, incluindo o arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer, rabinos, pastores e até um reverendo da Igreja Anglicana. Os religiosos costumam fazer orações e não raro citam histórias de superação de pessoas com doenças graves, como o prefeito.

O prefeito também tem recebido homenagens em eventos públicos. Recentemente, em uma reunião com tucanos, o governador puxou uma salva de palmas e pediu orações para Covas.


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