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Aos 82 anos, um olhar bem brasileiro

Entretenimento

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Aos 82 anos, um olhar bem brasileiro


Muitas vezes marginalizado e excluído, o negro ganha lugar de protagonismo na exposição “O Brasil que Merece o Brasil”, com 168 fotografias registradas durante os 65 anos de carreira do grande fotógrafo carioca Walter Firmo, 82. A mostra abre amanhã, às 16 horas, no Museu Vale, em Argolas, Vila Velha.

A Praia de caravelas, na Bahia, retratada pelo fotógrafo carioca Walter Firmo, se destaca pela brasilidade (Foto: Divulgação/Walter Firmo)
A Praia de caravelas, na Bahia, retratada pelo fotógrafo carioca Walter Firmo, se destaca pela brasilidade (Foto: Divulgação/Walter Firmo)

“Foi dez anos depois que comecei que passei a perceber que nessa sociedade brasileira, que tem vários tipos de raças que compõem todo o cenário da nossa brasilidade, existia uma que quase a gente não via. Parecia uma entidade invisível, que eram os negros. Eles só eram mostrados quando eram presos, embarcando nos camburões, entrando lá como se fossem um animal”, conta, ao AT2.

O artista, então, foi atrás dessas pessoas. Esteve em fábricas, portas de edifícios, mas também as mostrou em momentos de lazer, durante suas manifestações culturais, e ainda registrou figuras brasileiras como Pixinguinha, Cartola e Pelé. “Quero exaltá-los, é um ode a essas pessoas. Lá eles estão lindos!”.

Walter Firmo: “Quero exaltar os negros, é um ode a essas pessoas” (Foto: Divulgação/Facebook)
Walter Firmo: “Quero exaltar os negros, é um ode a essas pessoas” (Foto: Divulgação/Facebook)
AT2: Já está no Estado?
Walter Firmo: Já! Vim de carro com meu neto porque vou comprar algumas panelas de barro. Para mim, as melhores do Brasil, e não sei se estarei vivo para voltar aqui de carro. Aprendi, com o fotógrafo Rogério Medeiros, a fazer a moqueca capixaba e, às vezes, quando quero socializar, convido amigos para irem lá em casa ou vou até eles cozinhar o prato.

Gosto muito de dirigir, e, dirigindo nessa idade, posso testar a questão da destreza e a malícia a partir do envolvimento com os perigos da estrada. E o velhinho aqui de 82 anos está com tudo funcionando!

Meu neto vinha comigo e olhava aquelas montanhas tão bonitas. Essa é a verdadeira maneira de conhecer o Brasil, não de avião.

AT2: Numa sociedade em que ainda há muita discriminação racial, sua exposição se mostra necessária e atual, certo?
Walter Firmo: Está na moda voltar a matar índio e jovens negros principalmente no Rio. Então, minha exposição nunca esteve tão atual. Que sorte a minha e de vocês que vão ver a dignificação de uma raça desejada pelo olhar do fotógrafo que não a elimina, mas a ilumina. 

E eu já fui discriminado. Um dia fui visitar uma aluna que morava numa cobertura em Ipanema e, quando cheguei na portaria, o cara me olhou e falou que o elevador que era para eu subir era o de serviço. Disse: “Qual elevador? Aquele lá no fundo? Olha, meu amigo, vou ver se o elevador da frente está funcionando e vou nele! E, olha, se você criar caso comigo, levo você para a delegacia”.

Foi o maior auê! E o cara teve que se humilhar vendo o mulatinho aqui entrando pela porta da frente. Mandei bem? (Risos)

 (Foto: Divulgação/Walter Firmo)
(Foto: Divulgação/Walter Firmo)

AT2: Você tem uma vasta experiência com fotojornalismo. Como ele aparece no seu trabalho?
Walter Firmo: Fiz fotojornalismo, que você tem que sair correndo fotografando pessoas que se suicidam, o avião que se acidenta, mas esse tipo de jornalismo nunca me interessou. O que me interessava era a questão da luz, o prazer de ver uma imagem e dizer: “Ah, que bom, a vida vale a pena ser vivida!”.

AT2: E se rendeu à fotografia digital?
Walter Firmo: Já. Tanto faz ser digital ou analógica, quem comanda aquele aparelhinho, chamada de máquina fotográfica, é a minha mente, a minha sensibilidade. Quando aperto o botão, aquilo é acionado por uma coisa que tenho na cabeça. Então, todas elas são burras, mas o homem não. Máquinas são meras máquinas.


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