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Afeto faz bem à saúde
Doutor João Responde

Afeto faz bem à saúde

Experimente caminhar pelas ruas distribuindo abraços e apertos de mãos. Infelizmente, a maior parte das pessoas não retornará as demonstrações de afeto oferecidas por você. Algumas reagirão com susto, julgando sua atitude estranha. Outras, numa posição defensiva, não pararão e justificarão que estão com pressa.

O ser humano tem medo da não reciprocidade, do receio de oferecer carinho e não o receber de volta. Muitos receiam expor-se, justificando-se pela falta de segurança, endêmica em nosso País.

Ainda assim, existirão aqueles dispostos a receber carinho de um desconhecido. Mesmo acostumados com agressões sociais, indivíduos que sempre querem levar vantagem, quando percebem que realmente se trata de um simples afago, suas defesas caem por terra.

A humanidade permanece sedenta de afeto. Abraço, colo, cafuné, quem não quer?

Manifestações de carinho são coisas raras e valiosas, normalmente reservadas para seletas pessoas do nosso convívio. Entretanto, afeto não deve ser moeda de troca e guardado por medo do prejuízo.

Violência, pressa, medo de ser mal interpretado e vergonha de demonstrar sentimentos criaram um ser humano desconfiado.

Um abraço, um leve toque, um beijo na face, um sorriso, ou outra demonstração de carinho, logo acionam nossa mente e indagamos: quais as intenções por trás disso?

Ao demonstrar um comportamento sisudo, com cara de poucos amigos, as pessoas criam distanciamento e proteção em relação aos outros.

Agindo assim, vestimos uma armadura protetora, mas isolamos a virtude, que consiste em assumir os prazeres que nossas condições humanas nos permitem.

A fria distância que criamos para os outros gera a sensação de estar faltando algo em nós. A troca de carinho libera um coquetel de substâncias que alimentam a alma, promovendo confiança e amor próprio.

Um abraço propicia a liberação de ocitocina, hormônio capaz de induzir o corpo a um estado de relaxamento, servindo como defesa contra ansiedade e depressão.

O medo de encarar um afeto não é, em última análise, senão a frustração de não ser afetado por ele.

A maturidade emocional depende do convívio afetivo. Ausência de afeto cria pessoas mal adaptadas à vida. Carinho propicia intimidade e entrega.

O contato humano através do afeto tem efeito tranquilizante, com o qual sentimos integrados e reafirmados.

O aperto de mãos é uma manifestação que simboliza o afeto. Com ele, selam-se amizade, confiança e relaxamento. Através de um cumprimento podemos interpretar os sinais não verbais que uma pessoa transmite.

Em tempos de guerra, o aperto de mãos significa acima de tudo uma demonstração de intenção de paz. Ao dar a mão ao outro, queremos dizer que não estamos armados.

Os apertos de mãos variam conforme nosso estado de espírito. O pior deles é aquele que pegamos na mão da pessoa e parece que estamos apertando um sapo frio, úmido e frouxo.

Este aperto de mão demonstra fraqueza, medo, insegurança ou fragilidade. A sudorese na palma da mão faz com que a temperatura baixe, e a umidade da mão suada cause a impressão bem desagradável em quem pega uma mão assim para cumprimentar.

Uma variação desse cumprimento é o aperto de dedos. Em vez de as palmas se encontrarem, a pessoa oferece apenas os dedos para a outra, demonstrando reserva e dificuldade em confiar.

No outro extremo temos o aperto forte de mão de alguns indivíduos, achando que irão dar a impressão de firmeza de caráter, quando na verdade passam a impressão de agressividade.

Como tudo na vida, o aperto de mão ideal não deve ser de extremos. A virtude está no equilíbrio entre a intenção e a satisfação.

Carinho é algo leve, que o vento não consegue levar.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista

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