Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Adeus ao automóvel? Devagar com o andor
Terrence Saldanha

Adeus ao automóvel? Devagar com o andor

(Foto: Rodrigo Gavini/AT)
(Foto: Rodrigo Gavini/AT)

Marido e mulher já na casa dos cinquenta anos aventuraram-se no último domingo a ir de ônibus do centro de Vitória até Camburi. Iriam “tomar uma cervejinha na casa de amigos e tal”, e deixaram o carro na garagem. Chegaram em estado lastimável. Até poderiam ter pedido um carro por aplicativo ou táxi, mas o maridão tascou um “vamos de ônibus mesmo!”. Pegaram um calor do Saara dentro e, como saltaram no ponto errado, caminharam sob uma temperatura dos infernos do lado de fora do coletivo. Pretendem não repetir a dose. Se o dinheiro permitir, nunca mais.

***

Esse caso é emblemático. Especialistas, poder público em todo o País, empresas de olho gordo na mobilidade urbana alternativa e adeptos do patinete vão botando para escanteio o uso do automóvel. Beleza, mas se não houver contrapartida em qualidade de serviços em transporte público, uma faixa expressiva da sociedade motorizada vai reclamar.

***

Observe-se o caso da redução das vagas de estacionamento. Os sofridos comerciantes da Leitão da Silva partiram para a briga na Justiça. Perceberam que o cliente – que é quem tem a última palavra ­– poderia “dar o ninja” (sumir do mapa, para usar a gíria da moçada) se não tiverem onde deixar o carro durante as compras. Quem puder, não vai levar latas de tinta e material de construção e acabamento (segmento forte na região) no braço ou de ônibus.

***

Nas palavras de comerciante ouvido pelo jornal A Tribuna, “ninguém quer comprar em lugar que não tem estacionamento”.

***

O envelhecimento da população é outro termo importante nessa equação. Daqui a 10 anos o Brasil vai ter mais idosos (acima dos 60 anos) do que crianças (0 a 14 anos). Jovens se adaptam bem a transportes alternativos, mas adultos levam e pegam crianças nas escolas, idosos vão ou são levados com frequência a consultas médicas e hospitais. Fala-se muito na adequação do sistema de saúde ao envelhecimento da população, mas pouco se discute quando o tema é mobilidade para essa faixa etária. Será que, se tiverem carro, o idoso e sua família abrirão mão do automóvel para locomoção? Para isso, haverá coletivos confortáveis e eficientes que motivem a troca? Ou vai ser tudo na marra?

***

O argumento reinante é que a matemática aponta para a necessidade de novos modais, porque em breve não haveria rua que chegue para tanto automóvel. Nesse rumo, as empresas de tecnologia dizem que os dias do carro como conhecemos hoje estão contados. A questão seria a velocidade dessa transição. Se acelerar demais, corre-se os riscos de os impactos negativos chegarem antes dos benefícios.


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados