Açúcar vicia o cérebro

A glicose é um componente essencial à vida, especificamente para o correto desenvolvimento das funções cerebrais. Entretanto, não é preciso ingerir açúcar e nem alimentos doces para que o organismo conte com a quantidade necessária dela.

Caso alguém adotasse uma dieta livre de açúcar, isso não representaria nenhum problema, afinal o corpo possui vários mecanismos para conseguir glicose.

Além de obtê-la através da alimentação, o organismo pode sintetizá-la a partir do glicogênio, um polissacarídeo armazenado no fígado e, em menor quantidade, nos músculos.

A glicose também é obtida a partir de subprodutos das gorduras, chamados corpos cetônicos, os quais, em situações de hipoglicemia, podem suprir essa carência.

Outras fontes de energia são os ácidos graxos. A gordura é armazenada em forma de glicerol e ácidos graxos. Nos humanos, os ácidos graxos não conseguem produzir glicídios, mas o glicerol pode, embora em quantidades menores.

Todos os alimentos ingeridos acabam, em maior ou menor medida, sendo transformados em glicose, ou seja, em energia para o metabolismo orgânico.

O tipo de alimento de mais fácil transformação é o grupo dos carboidratos. Eles incluem os açúcares livres, acrescidos a uma infinidade de produtos, como os cereais, tubérculos, leguminosas, laticínios, frutas e hortaliças.

Mantendo uma dieta saudável, o organismo vai funcionar bem, não tendo por que se preocupar, pois o estoque de glicose está assegurado. A evolução já se ocupou de criar recursos para obter o principal suprimento de energia celular.

Entretanto, quando ingerido de forma abusiva, o açúcar vicia o cérebro, pois estimula a produção de um neurotransmissor chamado dopamina, que é responsável pela sensação de prazer e bem-estar, fazendo com que o corpo crie dependência por esse tipo de alimentação.

Além do vício, o excesso de açúcar também prejudica a memória e dificulta o aprendizado, o que leva a uma diminuição do rendimento intelectual e laboral.

De mais a mais, o açúcar fornece apenas calorias vazias para o organismo, uma vez que ele não contém vitaminas e minerais, nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo.

Consumir altos níveis de açúcar acaba afetando negativamente a saúde do encéfalo, danificando desde a função cognitiva até a sensação de bem estar.

O cérebro consome mais energia que qualquer outro órgão do corpo humano. Sua principal fonte é a glicose. Porém, quanto mais açúcar o indivíduo consome, mais ele deseja consumi-lo. Além de afetar a saúde, essa compulsão também gera danos estéticos.

Quando ingerido, o açúcar ativa receptores gustativos nas papilas linguais, que enviam um sinal ao cérebro para liberar uma onda de substâncias que promovem sensação de prazer. A dopamina é uma delas. O açúcar sequestra a via da recompensa do cérebro.

O problema na verdade começa a surgir quando o impulso, que era para ser ocasional no sistema de recompensa do cérebro, é ativado com frequência.

O estímulo em excesso deste sistema altera o metabolismo, dando início a uma série de eventos desagradáveis, como perda de controle sobre o consumo e maior tolerância ao açúcar.

Açúcar também pode prejudicar o humor. Em pessoas ávidas por doces, a capacidade de processar as emoções pode ser comprometida devido aos elevados níveis de glicose na corrente sanguínea.

Alimentos com elevados índices glicêmicos estimulam regiões cerebrais associadas à resposta de gratificação. Isso provoca um sentimento intenso de fome em comparação com alimentos de baixo teor glicêmico.

Acariciada pelo açúcar, a satisfação agradece ao vício, deixando para o corpo o débito do prazer, quitado com arrependimento.
 


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