“Abracadabra, que a doença seja debelada”

Escutar, examinar, solicitar exames, diagnosticar, explicar e tratar. Eu exerço esses ofícios há 40 anos. Procuro caprichar na informação, pois comunicação não é o que se fala, mas o que o outro absorve do que foi dito.

“Abracadabra, que a doença seja debelada.” Este vocábulo vem do aramaico, que significa “desaparecer com essa palavra”. Acredita-se que ele era usado para afastar doenças.

O termo surgiu pela primeira vez quando o médico grego Quintus Serenus Sammonicus o escreveu num de seus livros sobre remédios e curas. Segundo ele, “abracadabra” tratava-se de um vocábulo secreto de uma seita na Alexandria, cujo deus supremo era Abrasax, inspirador do nome.

Há quem diga que “abracadabra” foi inventado a partir das iniciais de três nomes hebreus que se referem à Trindade: Ab (Pai), Ben (Filho) e Ruach Hakadosh (Espírito Santo). Outras teorias dizem que a expressão surgiu da união das palavras hebraicas abreg, ad e habra. A junção das três significaria “fulmine com seu raio”. E há ainda quem aposte que o jargão mágico seria uma mistura das palavras celtas Abra (Deus) e Cad (Santo).

Na antiguidade, a expressão era escrita num triângulo de couro usado no pescoço como pingente para invocar o poder de curar.

Os adeptos da religião wicca acreditam em sua função protetora. Exorcistas e místicos usam-na até hoje para chamar ou banir espíritos.

O ser humano nasce com uma glândula denominada Timo, que entra em decrepitude na adolescência. Ela regula a vitalidade da criança. Enquanto essa glândula está operante, o organismo não envelhece. Antigos médicos acreditavam que gritando a palavra “abracadabra” faziam o Timo vibrar, conservando-o ativo durante toda a vida.

Curiosamente, a medicina atual emprega sons musicais como forma de terapia. O modo como o médico entoa a voz pode gerar esperança ou decepção no paciente.

Localizado entre o coração e os pulmões, o Timo se dilata nas alegrias e se contrai nas adversidades. Situações atribuídas ao coração, na verdade pertencem ao timo. Basta lembrar que o termo “íntimo” significa “dentro do timo”.

Este órgão muda de tamanho conforme as fases da existência. Do nascimento até a adolescência, o timo atinge até 40 gramas. A partir daí, ele começa a diminuir de tamanho até a velhice. Porém, mesmo com a sua diminuição, as funções não são perdidas.

O timo participa na regulação da defesa imunológica do organismo, tendo a maturação dos linfócitos T como principal função.

Os linfócitos imaturos são produzidos na medula óssea e migram para o timo, onde amadurecem e transformam-se em linfócitos T. De lá, eles penetram no sangue e chegam aos tecidos linfoides.

O timo só libera os linfócitos T após reconhecer que estes não irão reagir contra proteínas ou antígenos naturais do organismo. Assim, ele realiza uma seleção dos linfócitos T a serem liberados na corrente sanguínea.

Esta propriedade do timo garante o correto funcionamento do sistema imunológico.

A diminuição do número de linfócitos T no organismo aumenta as chances do aparecimento de doenças.

Galeno, no século II da nossa era, chamou “thymus” ao órgão bilobado, de cor cinza-rosácea, localizado no peito, porque, segundo ele, lembrava um maço de tomilhos. O tomilho (thymus em latim) foi denominado assim porque era queimado como incenso.

O altar existente nos teatros gregos era chamado de “thymele”, e “thymos” era a ascensão da fumaça, a queima do incenso, o sacrifício aos deuses, significando a aspiração, o canto de louvor, o espírito e a expressão do amor. Era o sopro da alma do qual dependia a energia do homem e a sua coragem

Palavras são inesgotáveis fontes de magia, capazes de ferir e de curar.


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