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A torturante insônia
Doutor João Responde

A torturante insônia

Quem tem insônia não dorme e nem acorda de verdade. Com ruminantes pensamentos, noites de insônia tornam cansado o amanhecer. Tentando me concentrar, rolo na cama de um lado para o outro, e nada do sono chegar. Levanto, vou ao banheiro, tomo um copo de água, ligo o computador, e cadê ele?

A noite avança, apertando minhas costas, queimando meus olhos, enchendo meu cérebro de pensamentos.

Preciso dormir, eu balbucio para o silêncio da noite. Abro um livro. Leio com a intenção de conseguir pegar no sono. Não funciona. Sento diante da escrivaninha. Enquanto escrevo, contemplo as cintilantes estrelas no firmamento, sinto a carícia do vento frio e displicente.

Olho a cidade pela janela e vejo tudo escuro, somente eu sou refém do claro. A solitária madrugada me oferece sua solidão. Recuso essa sombria companhia. Finalmente, os primeiros raios de sol iluminam a suave manhã.

O dia nasce afastando a noite insone. Mais uma madrugada inteira de olhos abertos.

O sono preenche um terço das nossas vidas e é fundamental para a recuperação física e psíquica do indivíduo.

Insônia é o distúrbio do sono mais frequente no adulto e associa-se a importantes consequências, como o aumento da mortalidade causada por doenças cardiovasculares, distúrbios psiquiátricos, acidentes e o absentismo ao trabalho.

Ela é definida como uma experiência subjetiva de sono inadequado, com qualidade limitada, apesar de existirem condições adequadas para dormir, com prejuízo para o funcionamento social, ocupacional e de outras atividades diurnas.

Insônia pode ainda ser definida como uma dificuldade em iniciar e manter o sono, acordar muito cedo, ou por uma queixa de sono não restaurador ou de má qualidade.

Quanto à duração, a insônia pode ser aguda ou crônica, com os sintomas ocorrendo pelo menos em três noites por semana.

Estresses financeiros, sociais, ambientais, como um ruído no quarto, por exemplo, e morte de um ente querido são as causas mais frequentes de insônia aguda. Ela pode ser primária ou secundária.

A primeira é aquela não causada por condições físicas ou mentais. A secundária é provocada por doenças físicas e mentais ou medicamentos. A forma secundária acontece em quantidade superior à forma da insônia primária.

Ansiedade, angústia e depressão estão presentes em mais da metade das pessoas com insônia. Dor e abuso de medicamentos são responsáveis por 10% delas.

Senilidade, isolamento, pobreza, separação matrimonial e desemprego são alguns fatores de risco para o aparecimento e a manutenção da insônia.

Doença de Alzheimer, acidentes vasculares cerebrais, parkinsonismo, quadros dolorosos, menopausa, apneia obstrutiva e disfunções tiroidianas são ingredientes que alimentam a falta de sono.

Insônia também se associa à sonolência diurna, diminuição de energia ou irritabilidade, gerando dificuldade de concentração e atenção, problemas de aprendizagem e de memória, afetando o rendimento no trabalho e na escola.

Além de comprometimento da saúde, a insônia aumenta os riscos de acidentes de trânsito, faltas ao trabalho, gerando perda de emprego, e diminuição do aprendizado, em razão da redução da capacidade de concentração e atenção.

Alguns comportamentos perpetuam a insônia, tais como: expectativa e preocupação em ter dificuldade para dormir, aborrecimentos com o trabalho – não conseguindo esquecê-los após o final do expediente –, ingestão de cafeína e álcool, fumar antes de deitar, dormir durante o dia, além de mudanças contínuas nos horários de deitar e acordar.

Apesar dos pesares, a insônia me dá inspiração. Enquanto não “caio nos braços de Hypnos”, permaneço acordado, rabiscando meus sonhos, tornando-os reais.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista

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