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A prazerosa fome do apetite
Doutor João Responde

A prazerosa fome do apetite

Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
Doutor João Evangelista, médico e colunista de A Tribuna (Foto: Arquivo/AT)
O mais saboroso alimento depende da fome. O mais prazeroso prato depende do apetite. Dizem que beleza não se põe em mesa. Concordo, mas confesso que ela abre o apetite.

Quando sentimos vontade de comer menos de três horas após fazer uma refeição, nossa fome é emocional, e não física, pois o organismo, dentro desse período, não foi capaz de fazer uma digestão completa dos alimentos.

Algumas vezes a suposta necessidade de comer está relacionada com ansiedade ou algum ritual, como acontece, por exemplo, quando estamos vendo um filme, sentados diante da televisão.

Fome real ocorre quando o cérebro sinaliza a necessidade de combustível, ou seja, alimento para o corpo. Trata-se de uma resposta ao estômago vazio, diminuição da reserva de gorduras ou baixa de açúcar no sangue.

Vontade de comer emocional é aquela que solicita comida como recompensa por algo que falta na vida. Alguém que sente a necessidade de buscar mais alimentos, especialmente os calóricos, mesmo após as refeições, estará alimentando desejos e não necessidades.

Fome e apetite são duas coisas diferentes. Fome é a necessidade fisiológica de alimento. Apetite está relacionado com a escolha dos alimentos que preferimos.

Quando almoçamos num restaurante, as decisões são mais baseadas no apetite, que nas alterações biológicas provocadas pela fome.
Diante da fome, não levamos tempo para apreciar o cardápio, comendo o que servem na mesa. O apetite leva-nos a escolher, com calma, aquilo que vamos ingerir.
Fome não pode ser controlada, já que é instintiva. Ignorá-la pode trazer consequências graves.
Apetite pode ser ignorado. Influenciado pelo cérebro, trata-se de um comportamento aprendido e, justamente por isso, controlável.
Quando nos nutrimos de uma maneira errada, é comum que as refeições ocorram mais por conta do apetite do que pela fome.
O aroma, vindo daquele prato que gostamos, chega a um grupo de neurônios no hipotálamo, gerando apetite e salivação. Neste momento sentimos vontade de comer, mesmo que tenhamos almoçado há pouco tempo.
Apetite nos leva a “comer com os olhos”, não pensando em nossa sobrevivência. Ele apenas se preocupa em saciar o prazer momentâneo da refeição.
Bem diferente do apetite, a fome é um mecanismo de sobrevivência básico, que nos indica a hora de comer. Dessa forma, somos avisados quando nossos estoques de energia diminuem e precisamos repô-los.
Um dos principais indicadores para o organismo perceber a fome é a baixa dos níveis de açúcar sanguíneo, que deve se manter estável para garantir o transporte permanente de glicose ao cérebro, de maneira a manter as funções vitais.

Quando o nível de glicose cai, o organismo dispara um alarme e neurotransmissores são liberados, informando ao corpo que precisamos comer rapidamente.

É natural sentirmos fome, mas estamos constantemente expostos à sensação de apetite.

Em situações de estresse perdemos o controle e passamos a comer desesperadamente para mitigar a ansiedade.

O equilíbrio alimentar é regulado pela fome e pela saciedade. Se uma pessoa, por exemplo, passa o dia inteiro sem comer, e chega em casa morrendo de fome, sua tendência é ir direto para a geladeira e comer o que estiver à sua frente, até sentir-se farta. Esse comer é fisiológico.

O desejo de comer é regulado pelo apetite e pelas esperadas recompensas.

Quando alguém acaba de almoçar e de repente sente um desejo imenso de devorar um chocolate, essa necessidade ocorre por causa do prazer que a guloseima vai trazer naquele momento.

A vida alimenta os desejos e os desejos alimentam a vida. Vivemos com fome de emoções. Contudo, perdemos o apetite quando nossas paixões são saciadas.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista

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