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A pontualidade e o amor
Martha Medeiros
Martha Medeiros

Martha Medeiros


A pontualidade e o amor

O que faz um romance durar? Entre as muitas vantagens de amadurecer, está a de não se preocupar mais com essas questões e simplesmente se jogar, permitir que os dias fluam, que o vento nos leve, sem ficar fuçando demais na história. Permitir que a energia pulsante da relação seja mais importante que suas razões e porquês.

Ainda assim, tempos atrás escrevi um texto chamado “Fator de descarte”, em que analisei os motivos que fazem com que as pessoas larguem de mão uma paquera (uma amiga desistiu de um cara porque ele não gostava de escutar Tom Jobim, outra costumava analisar os sapatos do sujeito — francamente, gurias).

Meu fator de descarte seria a violência e a canalhice. Jamais suportaria alguém que me agredisse ou que não fosse ético, mas se é para entrar em detalhes mais prosaicos, vamos lá: pontualidade. Taí algo que, para mim, facilita o ajuste dos ponteiros.

Em um primeiro encontro, adoraria perguntar: você é do tipo que chega ao aeroporto quatro horas antes do voo ou com um fiapo de tempo antes do embarque? Pois é, isso pode dar uma pista sobre a aventura que nos aguarda.

Óbvio que as duas hipóteses são exageradas, mas o exagero ajuda a definir o perfil da pessoa. Ou ela é precavida (mesmo que quase morra de tédio até o momento de entrar no avião) ou é descuidada (mesmo que quase morra do coração ante a iminente perda do voo).

Eu sou do tipo que leva os imprevistos em conta, então sempre chego mais cedo — em tudo que é lugar, a qualquer compromisso. Deve ser uma espécie de tara, vá saber.

Mas o fato é que prefiro esperar o voo, esperar pelos outros, esperar por tudo, e assim manter meus batimentos cardíacos sob controle. Aquela lá que vem correndo esbaforida não sou eu.

Não gosto de entrar no cinema com a luz já apagada. Não gosto de deixar os amigos aguardando num restaurante. Não gosto de ser a última a chegar numa festa: entradas triunfais não combinam comigo.

Se o namorado diz que virá me buscar às oito, às quinze para as oito estarei pronta. Se ele aparecer às oito e dez, ainda me encontrará sorrindo. Se ele aparecer às oito e meia, já não estarei sorrindo, e se a explicação para o atraso não for boa, talvez eu avance em sua jugular — nunca saberemos, porque nunca aconteceu. Já namorei alguns malucos, mas nunca um homem mal-educado.

Se ele gosta de Tom Jobim ou de pagode, se usa sapatos cafonas ou vive de tênis, se gosta de ler ou é viciado em rede social, tudo pode, tudo vale, tudo se ajeita — ou não se ajeita. É da dinâmica das relações.

Mas pontualidade é assunto sério. O descuidado até pode se atrasar 30 minutos pra buscar você pra jantar (mesmo colocando o pescoço em risco), mas tudo será perdoado se ele tiver aparecido na sua vida na hora certa

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