A mágica da bola

Futebol. No dicionário, a definição de futebol é “esporte em que 22 jogadores, divididos em dois campos, se esforçam por introduzir uma bola na baliza do campo adversário, sem intervenção das mãos, durante uma partida dividida em dois meios tempos durante 45 minutos cada um”. Mas no coração apaixonado para quem futebol não é apenas um esporte, a tarefa de definir o que é futebol não é fácil. Inegável, porém, associá-lo com alguma coisa de mágico.

Na infância, mágica costumar vir sempre associada a um objeto. A tal varinha. Quantos não sonhamos em ter uma delas? Mas, nem só de varinha vive o reino da magia. Num primeiro olhar, ela não tem nada de especial. Num segundo também não. Num terceiro, continua a não ter.

Observada atentamente, uma bola de futebol não parece mesmo promissora para a magia. Sozinha, ela é tão comum quanto qualquer outro objeto. Assim como a varinha, a bola não faz mágica sozinha. A varinha precisa da mão do mágico. A bola, do pé.

Chuta, rola, passa, corre, dribla, voa, pedala. Ao contrário da varinha, que toca outros objetos e os faz encantados, a bola encanta a si mesma ao encontrar o talentoso toque dos pés. Não sabemos explicar como uma simples varinha faz surgir uma pena levitar, talvez devêssemos perguntar ao professor Fílio Flitwick. Ele faz parecer tão fácil!

Também parece fácil quando vemos grandes mágicos com a bola nos pés encontrando espaço entre quatro jogadores e saindo sozinho para fazer o gol. E há diversos candidatos a magos nesta Copa: Lionel Messi; Cristiano Ronaldo; Neymar; Kevin De Bruyne; Antoine Griezmann; Harry Edward Kane; Mohammed Salah; Isco; Toni Kroos.

É isso o que todas e todos os apaixonados pelo futebol – mesmo aquelas e aqueles que se contagiam apenas de quatro em quatro anos – esperamos a partir de hoje: Gols! Muitos gols! O momento em que alegria, júbilo, paixão, alívio, felicidade explodem em um único grito, independente do idioma. A Copa do Mundo Fifa de Futebol é um dos eventos esportivos mais aguardados e festejados do planeta – apesar de todas as críticas que se podem fazer a ele.

E se a matéria-prima da mágica é o sonho. A do futebol, também. O sonho do hexa, do penta, do tetra, do tri, do bi, do título inédito. O sonho de marcar um gol. De impedir um gol. De vencer um jogo. De superar a marca anterior. De estar em campo. De vestir uma camisa e ser a extensão de tantos outros sonhadores. E por mais que existam tantos estudos e estatísticas, técnica e ciência por traz do esporte, isso não é tudo. Em campo, quando jogam 11 contra 11, é como se o futebol suspendesse, por 90 minutos mais os acréscimos do árbitro, as leis da probabilidade.

É por isso que não importam os times em campo, mesmo que sejam Marrocos e Irã, boleiras e boleiros de todo o mundo assistiremos ao jogo com aquele brilho nos olhos que só a magia do futebol é capaz de provocar. Os jogos já começaram. Feliz Copa para todas e todos!

Por Brunella França