Luiz Fernando Brumana

Luiz Fernando Brumana

A Favorita: o filme com dez indicações aos Oscar

 (Foto: Divulgação)
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Assim como a maioria dos filmes que chegam ao Oscar, "A Favorita", do diretor Yórgos Lánthimos, só chamou atenção do grande público após o anúncio dos indicados, nos quais aparece em dez categorias. O principal ponto de inquietação, entretanto, é a trama. Afinal, não é toda hora que nos deparamos com um filme que trata da relação homossexual dentro da realeza.

A história se passa na Inglaterra do século 18, quando a Duquesa de Marlborough, Sarah Churchill (Rachel Weisz), exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana (Olívia Colman). Seu posto privilegiado, contudo, é ameaçado pela chegada de Abigail (Emma Stone), uma nova criada.

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Todas foram indicadas e estão muito bem em seus papéis. Olivia concorre como melhor atriz — mas será difícil vencer Glenn Close (A Esposa) —, e as demais como coadjuvantes. Emma já ganhou há dois anos como melhor atriz por “La La Land” (2016) e Rachel como coadjuvante por “Jardineiro Fiel” (2006).

Mesmo não sendo o romance entre as personagens o enfoque principal do enredo, é ele a linha mestra que justifica algumas das atitudes que desencadeiam a trama, principalmente no que diz respeito a Rainha Ana, retratada como alienada e imatura para o tamanho do cargo que ocupa. É, contudo, a interação entre luxúria e política que é exposta no filme. Estamos falando da monarquia inglesa, uma das mais importantes e tradicionais do mundo, e que não está imune à influência daqueles que usam o sexo como ferramenta de poder.

 (Foto: Divulgação)
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Os figurinos, a fotografia e a direção de arte impressionam. O primeiro, como não poderia deixar de ser em um filme que trata de monarcas e aristocracia com suas perucas bufantes. O segundo acertou no uso de enquadramentos amplos na maioria das cenas, o que favoreceu contemplar, por sua vez, o terceiro item citado. A riqueza de detalhes do quarto da rainha é fascinante, assim como muitos dos cenários palacianos, onde se passa a grande parte da história retratada.

O enredo é dividido em capítulos — o que facilita entender a evolução das relações interpessoais e o passar do tempo — e conta alguns anos da dolorosa vida da Rainha Ana. Ela herdou, em 1702, o torno do seu tio, o rei Carlos II, que não teve filhos legítimos. Governou por doze anos, período no qual sofreu com diversos problemas de saúde e morreu sem deixar herdeiros. Chegou a engravidar 17 vezes do marido, o príncipe Jorge da Dinamarca, mas nenhum resistiu. Até isso é retratado por Lánthimos com sutileza.

Enfim, o enredo é ousado e as atuações muito boas. Se vai sair com alguma estatueta? Possivelmente, mas não apostaria nas categorias principais.