A criação de Bolsonaro pela esquerda e um futuro novo

Eduardo Borges é engenheiro civil, mestre em urbanismo e diretor do Sinduscon-ES (Foto: A Tribuna / Tribuna Livre)
Eduardo Borges é engenheiro civil, mestre em urbanismo e diretor do Sinduscon-ES (Foto: A Tribuna / Tribuna Livre)
Essa eleição trouxe uma grande novidade no cenário nacional das últimas décadas. Um candidato de direita (nos costumes), de um partido até então inexpressivo, venceu o maior partido de esquerda do Brasil. A esquerda liberal nos costumes ignorou o conservadorismo dos brasileiros.

A esquerda estatizante, não viu limites no apadrinhamento político para empregar os companheiros em repartições e empresas públicas, sem falar nos bilionários escândalos de corrupção que impulsionaram movimentos por mudança em todo o país.

Partidos com ideais mais à esquerda governaram o País desde 1995, após a eleição de FHC pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que buscou implantar seus ideais sociais-democráticos: desenvolvimento econômico como motor para programas assistencialistas sociais, algumas privatizações e uma intensa regulação do Estado na economia com o aumento da carga tributária.

Neutro nos costumes, o PSDB liderou o Executivo até 2002, sendo sucedido pelo PT, em uma série de quatro derrotas seguidas em 2º turno nas eleições posteriores.

Governando até 2016, o PT implementou sua política econômica potencializando ainda mais a carga tributária e a intervenção estatal. Elevou-se como nunca o exército de funcionários públicos e companheiros - disparando o aumento do gasto público. Junto a isso, o financiamento de empresas apoiadoras de campanhas, investimentos em países com viés autoritário-comunista e o incentivo ao consumo dos brasileiros perdurou até a hora em que a conta começou a chegar, em meados de 2013. Adentramos, assim, na pior crise econômica de nossa história.

A nossa “direita” - essa parcela da população brasileira que “aceitava” votar em um partido de centro-esquerda na economia e de centro nos costumes (o PSDB) – cansou-se de subsequentes governos de esquerda liberal nos costumes, com um Estado gordo e altamente burocrático. Os escândalos de corrupção e outros crimes relacionados ao uso indevido da máquina pública pela esquerda, empurraram o eleitorado para uma busca desesperada por mudança, que viu no declaradamente anti-petista Jair Bolsonaro, conservador nos costumes (como não se via há décadas no embate presidencial) e incomumente (aparentemente) honesto, a chance de “salvação”.

Na reta final da eleição, para combater o novo “herói” brasileiro, o PT, com afeição ao comunismo e culto à cor vermelha (tradição que se repete em diversas experiências fracassadas), resolveu dar um passo atrás no aspecto radical e tingiu sua campanha com as cores da nossa Pátria.

Buscou se apresentar como a “solução democrática”. Muitos formadores de opinião da esquerda, até então fãs de Marx e Che Guevara, redirecionaram seus discursos de ideais a países com governos de centro-esquerda que dão certo, como os nórdicos, aproximando-se dos ideais do partido que combateram por 6 eleições presidenciais seguidas.

Quanto ao governo de Bolsonaro, fica a dúvida de como será sua atuação na política econômica, visto seu passado pessoal estatizante. Contudo, a escolha de Paulo Guedes, declaradamente liberal, anuncia novos cenários. Se conseguir aplicar o que pretende, poderá iniciar a mudança também desse aspecto dos governos que lideraram a nação por quase 25 anos, lançando as bases para o que seria realmente novo para o Brasil, o enxugamento do Estado.

Eduardo Borges é engenheiro civil, mestre em urbanismo e diretor do Sinduscon-ES


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