Grazieli Esposti

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A calmaria do filho único

O domingo a tarde foi todinho do Henrique. Bernardo teve aniversário do amigo e meu pequeno (nem tão pequeno assim) ficou com o papai e a mamãe só para ele. Um momento raro, afinal, quando chegou ao mundo, o irmão mais velho já existia. Ele não teve exclusividade, nasceu já sabendo dividir, o que não considero um problema, pelo contrário.

Com ele, Bernardo aprendeu a esperar, a dividir, a não ser o centro das atenções, a amar, a cuidar, a ajudar. Ahhhh, a relação entre irmãos! Ahhhh, o amor fraternal. É lindo, lindo demais de compartilhar, de ensinar, de aprender! Mas não é fácil! Não pense que tudo são flores! As batalhas diárias são constantes, e, como tudo na vida, tem prós e contras.

E nesta tarde novamente vivemos uma constatação antiga, eu e marido. Como é tranquilo cuidar apenas de um! São dois para olhar, vigiar, brincar, atender. Todas as demandas e necessidades podem ser solucionadas com tranquilidade. E mesmo se surgir alguma situação mais complicada, você resolve. Que bênção!

Mesmo em um domingo com shopping cheio, foi tudo tranquilo! Há quanto tempo não sei o que é isso! A gente sai sempre juntos, nos divertimos muito, mas voltamos sempre esgotados. Normal! E hoje, além de dividir esta vivência com vocês, também quero mandar um abraço em quem tem mais de um e dizer: “tamu junto” no esgotamento físico e mental amiga, pois ele é inevitável as vezes. Não se culpe por sentir. Você não é menos mãe por isso! Quando você está cansada e reclama, não está querendo devolver/doar suas crias, você só está reclamando mesmo e ponto. Logo passa! O amor nos renova!

E ainda, não pretendo desencorajar ninguém a ter outro, jamais. Até porque eu não trocaria a minha loucura diária pela calmaria do filho único. Mas as vezes é bem bom ter umas horas calmas, quem não gosta? Além disso, é muito importante fortalecer a relação única entre os pais e cada um de seus filhos, porque apesar do amor multiplicar a cada nascimento, isso acontece de verdade, amamos as necessidades, os defeitos e as qualidades individuais e isso nos leva a agir de maneiras diferentes.

E amiga mãe de um, se quiser (ou não tiver outra escolha) de continuar só com um, também não se culpe, está tudo certo. Vocês serão felizes com esta configuração. Só não venha me falar que está muito cansada, ah não! E para finalizar nossas quatro horas de uma deliciosa tarde de exclusividade, Henrique diz: vamos buscar o Bezinho? Até a próxima!