A brinquedoteca como auxilio na educação ambiental

A partir da década de 1970, temas como poluição e esgotamento dos recursos naturais começaram a entrar na pauta de discussões dos governantes pelo mundo. O risco eminente de extinção da biosfera levou ao questionamento dos modelos econômico, social e industrial vigentes, e a constatação da necessidade de reformulação do pensamento humano para a construção de uma realidade diferente.

Com a popularização do termo Educação Ambiental na década de 1980, percebeu-se que ela não era só uma tendência educacional momentânea, sua utilização era vital para produzir a distância cultural entre o homem e a natureza.

Em face disso, o seu uso tornou-se fundamental para alicerçar uma nova percepção do todo, inserindo professores e alunos como cidadãos conscientes de que seus pensamentos e ações devem garantir a coexistência respeitosa entre humanidade e meio ambiente.

Todavia para alcançar tal mudança no quadro ambiental do planeta, tornou-se necessário que os conceitos trabalhados na educação ambiental efetivamente fossem assimilados pelos alunos e professores.

Na educação o brincar é um instrumento poderoso no processo de ensino-aprendizagem. A aprendizagem também está relacionada com a brincadeira. As dificuldades na aprendizagem são superadas através do lúdico. Não somente, as emoções podem ser externadas, um novo mundo é criado, como uma forma de crítica ao mundo dos adultos.

Através da brincadeira a criança revela o seu eu, suas angústias e medos. Como um jogo de emoções, o lúdico proporciona à criança um contato com sentimentos de alegria, sucesso, realizações de seus desejos, bem como o sentimento de frustração.

A brinquedoteca possui todos os recursos à construção de aprendizagens, neste ambiente o brincar atende a todas as necessidades da criança, seja no desenvolvimento, participação, transformação, integração, inserção, no aprendizado de forma agradável.

No espaço da brinquedoteca novos significados são criados através dos objetos, o desvalorizado (o lixo) passa a ser valorizado, as crianças compartilham saberes e sentidos. A brinquedoteca constitui espaço organizado, onde o lúdico é utilizado com estratégia para assimilação de conteúdo. Devido ao seu caráter inspirador, é um veículo de grande importância na educação, pois ali são trabalhados o sentir, o explorar e o inventar das crianças.

Como a educação ambiental deve ser um processo contínuo e permanente, flexível às mudanças do contexto social em que está ocorrendo, o ato de brincar para entender a educação ambiental torna mais fácil esta tarefa para os professores. O espaço físico da brinquedoteca oferece um leque variado de situações em que a prática pedagógica voltada à questão ambiental poderia ser mesclada ao lúdico, levando professores e alunos a observar a realidade através da arte, da música e das brincadeiras.

Jogos de faz de conta, dramatização, proposição e resolução de problemas, dinâmicas para trabalhar a cidadania e coletividade, jogos de tabuleiro ou competições são exemplos de atividades que poderiam envolver as questões ambientais e tem na brinquedoteca um local ideal para ocorrerem no cotidiano escolar. Para tanto, é necessário observar que a educação ambiental não é um simples ensino de ecologia como acaba sendo pregado pela mídia, ela é um processo que visa a construção de valores sólidos, culminando na mudança de pensamentos e ações posteriores.

Por favorecer atividades lúdicas e oportunizar o prazer de brincar às crianças, a brinquedoteca revela-se extremamente relevante no processo educativo, tornando-se uma ferramenta de apoio aos educadores, pois é um espaço onde brincar torna-se significativo, de total importância para o desenvolvimento da criança, o que este meio pode proporcionar de novo, de atraente para as crianças, para o aprendizado escolar, que a sala de aula não contempla, compreendendo assim a necessidade de criação da brinquedoteca em escolas, hospitais, entre outras.

Para se utilizar a brinquedoteca, explorando-se as atividades lúdicas na prática pedagógica, é necessário que os educadores compreendam sua função nessa nova realidade. Por essa razão, a formação lúdica pode contribuir na valorização da criatividade, no cultivo da sensibilidade e na busca da afetividade.

Outro importante fator é em relação a reutilização de materiais descartáveis no desenvolvimento de uma educação ambiental de qualidade. Na instrução devida acerca do descarte do lixo, hábitos e comportamentos que transformem aquilo que era resto, sem valor, em algo diferente, pode contribuir para a construção da consciência ecológica nas crianças.

A reciclagem contribui para a sociabilidade e interatividade entre as crianças. Como uma atividade de recriação, a criança passar ter a capacidade de confeccionar os próprios brinquedos. Os lixos constituem os resíduos da nossa sociedade, objetos não mais utilizados pelos adultos, e que readquirem vida nas mãos da criança, a qual, a partir deles, reconstrói a história.

A manipulação do brinquedo reciclado propicia as crianças o desempenho da ação sensório-motora e troca na interação, em um contexto diferenciado.

Quando partilhamos com a criança a reinvenção de um brinquedo, estamos também levando-a descobrir o encanto nas coisas simples e recicláveis. Isso é muito mais que uma nova forma de brincar.

Para incentivar o gosto pela aprendizagem, investigação, pelo conhecimento, pelo novo, com o intuito de estimular o desenvolvimento psicomotor, as habilidades física, motora e as diferentes destrezas, deverão ser realizadas atividades ligadas a reciclagem em diferentes momentos da sequência didática na brinquedoteca.

A reutilização deve ser ensinada na mais tenra idade de uma criança, seja na educação formal ou não, e uma ótima maneira de instruir quanto a valorização do ato de reutilizar é, a montagem de brinquedos reciclados. Desta forma, as crianças preservarão o meio ambiente brincando.

* Bruno Brandão é professor de História e Escritor.