“Quero dar um sopro de esperança”, afirma atriz e cantora Renata Ricci
No palco, uma cantora de cabaré é abandonada por seu grande amor. Na vida real, Renata Ricci tinha acabado de “levar um pé na bunda”, assume, francamente, aos risos.
Apaixonada pela música desde a infância, ela se tornou Renata Von Ricci, que conta e canta suas dores e sucessos amorosos em “French Kiss - Na Intimidade”, comédia musical que produz, dirige e estrela há seis anos e que agora chega à plataforma Vimeo, para ver em casa.
Para ela, é hora de tocar os corações. “Quero dar um sopro de esperança. Se uma pessoa tiver um momento de alento, um refugo que alimente a alma, já atingi o objetivo. Tirar sorrisos, provocar uma reflexão... Não tenho uma resposta ou mensagem pronta. Mas, se tocar em algo de alguém, atravessar a tela, valeu”, diz ela ao AT2.
Na trama, clássicos versionados para o francês e gravados ao vivo, como “Kiss”, de Prince; “Is This Love”, de Bob Marley; “Chocolate”, de Tim Maia; “Tatuagem”, de Chico Buarque, “La Vie en Rose”, de Edith Piaf, e “C’est si Bon”, de Yves Montand.
E mais: vivendo Renata Von Ricci na melhor idade, a avó da atriz e produtora, Alice Ricci, em sua estreia teatral. “Ela estava brilhante em cena”, elogia a neta.
“Amor é necessário. Revigorante”
AT2 Essa apresentação marca seus 20 anos de trajetória e 6 anos como produtora. Como avalia essa jornada até agora?
Renata Ricci Engraçado que sou muito intuitiva. Bem aquele perfil: sou de Humanas! (Risos) Me surpreendo ao ler as contas que geralmente outras pessoas fazem por mim!
Sinto que a necessidade me fez virar produtora, mas isso me fez crescer como artista. Gosto do rumo que as coisas tem tomado. E me sinto mais ativa enquanto cidadã, tendo noção clara da importância do meu trabalho. Transcende o palco e os holofotes.
Como se deu a escolha do repertório para “French Kiss - Na Intimidade”?
Na real, seguindo um “flow” intuitivo, a primeira música escolhida foi “Is This Love”, do Bob Marley. Eu tinha levado um pé na bunda e sabia que queria falar de amor. Então, eu e o diretor musical fomos escolhendo as músicas que gostávamos e iam sendo versionadas para o francês. E a história deixou de ser algo pessoal e fomos descobrindo a narrativa da personagem. Não era mais a Renata que tomou o pé na bunda. (Risos)
Alguma canção te toca em especial?
Algumas. (Risos) A versão de “Ne Me Quitte Pas”, que é muito tocante, ao cantar em português, me tocou ainda mais profundamente. Fazer “Tatuagem”, de Chico, também tem um significado pessoal. É uma canção que faz parte do meu repertório de criança. A música ouvida em casa, sabe? Tem um lugar de afeto muito grande.
Como acha que o espetáculo cresceu até hoje?
Ele começou como um show. Mais simples, mas já com um roteiro, com três pessoas – eu e dois músicos. Ele virou um musical pequeno. Cresceu ainda mais. E agora foi transformado em linguagem de audiovisual. Ele cresceu muito, e cresce. Evoluiu comigo.
Como você cresceu?
Eu engravidei no meio do processo. Inclusive a história mantém até hoje a gravidez. Só essa mudança gigante pessoal não tinha como não ecoar e não reverberar. Crescemos e aumentamos juntos.
Como a música entrou em sua vida?
A música faz parte de minha vida desde pequena. Meu avô cantarolava o dia todo, se comunicava com música. Então, a linguagem sempre me foi natural. E eu cresci assistindo aos filmes musicais.
O que a música significa para você?
Acolhimento, comunicação universal. Acho que a música, de todas as artes, é a mais quântica. Que vai além do entendimento. Ela mexe com a gente, independente de a gente entender ou não.
E como foi trabalhar com Dona Alice, sua avó?
Foi maravilhoso, uma celebração.
Que importância Dona Alice tem em sua vida?
Minha avó foi quem me introduziu na dança. Ela dançou até há muito pouco tempo. Toda semana, ela ia aos bailes. E sempre costurou meus figurinos, me acompanhou em muitos testes. Ela e minha mãe. Aprendi muita coisa com ela. Uma gana e alegria de viver! E de irreverência. Ela sempre foi uma mulher diferente de outras de sua época. O espetáculo deu um gostinho a ela do que é meu dia a dia. E foi delicioso vê-la saboreando e sendo aplaudida ao final do dia de gravação dela.
Como diria que ela se saiu?
Muito bem! Ela estava à vontade e se vê isso em cena. Eu me emocionei vendo o primeiro corte.
Disse que o espetáculo é para aqueles que acreditam no amor. Você acredita?
Acredito e muito. Mais no amor do dia a dia que no amor romântico. No amor que pode se transformar. A maternidade me fez sentir na pele um amor tão profundo e nada romantizado. Me fez aprender muito também enquanto mulher em relação a um parceiro.
Como é falar de amor?
Falar de amor é necessário. Revigorante. E não um amor perfeito. Mas este amor que nos faz ir além. Meu amor pelo meu ofício é um dos motores para eu poder falar sobre o outro amor para tanta gente.
SERVIÇO
“French Kiss - Na Intimidade”
O quê: Comédia musical com Renata Ricci e Alice Ricci
Quando: Até 28 de junho
Onde: plataforma Vimeo
Quanto: R$ 25,00
Duração: 75 min
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