Fabiana Tostes

Fabiana Tostes


8 de março: muito ainda a conquistar

O caso da vendedora Jane Cherubim, que foi covardemente espancada pelo namorado na segunda-feira, acendeu o alerta da Secretaria de Estado da Segurança (Sesp) para apurar os casos de violência contra a mulher durante o Carnaval.

Das 18h de sexta-feira até as 6h de quarta, foram registradas 94 solicitações de medidas protetivas, 10 estupros, quatro atos de importunação sexual, 84 casos de lesão corporal, 60 ameaças, duas tentativas de feminicídio, entre outros crimes.

No País, a vitimização de mulheres foi tema de um levantamento feito pelo Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os dias 4 e 5 de fevereiro.

Ele mostrou que 27,4% (16 milhões) das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência no último ano, sendo que 536 foram vítimas de agressão física a cada hora. Dos 2.084 entrevistados, 59% disseram ter visto uma mulher sendo agredida e 76,4% das vítimas afirmaram que o agressor era alguém conhecido. Após a agressão, 52% das mulheres não fizeram nada.

Jovens e negras
O levantamento também mostrou que a violência atinge mais mulheres jovens e negras. Por idade, 42,6% das mulheres entre 16 e 24 anos foram vítimas de violência. O 2º grupo mais atingido é o de 25 a 34 anos, com 33,5%. Mulheres negras são as que mais relatam violência (28,4%) e assédio (40,5%). Em 2018, 22 milhões de mulheres foram assediadas.

Frente de proteção
A Assembleia instalou ontem a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Mulher e Combate à Violência Familiar e Doméstica, após requerimento da deputada Janete de Sá. Durante um ano, a Frente vai apresentar e discutir políticas públicas de proteção às mulheres. Nas próximas sessões será criada a programação e definida a presidência.

Questão de igualdade
Seguindo o que já tem ocorrido nos eventos esportivos promovidos ou patrocinados pelo Estado, a vereadora de Vitória Neuzinha de Oliveira apresentou projeto prevendo que as premiações em eventos esportivos patrocinados pela Prefeitura de Vitória sejam iguais, entre homens e mulheres.

Sedu vai meter a colher
Com o objetivo de proporcionar desde cedo aos adolescentes e jovens conhecimento sobre os direitos das mulheres, já está em estudo, pelo secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, inserir no currículo escolar o conteúdo da Lei Maria da Penha.

A proposta é de capacitar os professores da rede estadual de ensino para transmitirem o conteúdo aos estudantes futuramente.

Resposta ao “Escola sem Partido”
Tramita na Assembleia Legislativa projeto da deputada Iriny Lopes (PT) que garante a professores, estudantes e servidores da Educação a liberdade de expressar pensamentos e opiniões no ambiente escolar – uma resposta ao movimento “Escola sem Partido”. O projeto proíbe coação ou pressão nas escolas, o uso de equipamentos (como celular) se a finalidade não for educacional e a permanência em sala de aula de quem não faz parte da escola.

Servidoras em destaque
O governo do Estado lança hoje a campanha “Elas são história”, que vai homenagear servidoras públicas estaduais. Mas também tem homenagem nas prefeituras de Vitória e Vila Velha, que fazem um dia de programação para as funcionárias.

Dossiê canela-verde
A vereadora de Vila Velha Dona Arlete protocolou projeto que cria o “Dossiê da Mulher Canela-Verde”, para reunir estatísticas de mulheres atendidas por políticas públicas.

Representação é pequena
A representação feminina na política ainda é pequena. Das 30 cadeiras na Assembleia, apenas três são ocupadas por mulheres. Dos 13 parlamentares da bancada federal, há três deputadas e uma senadora.

Um ano sem respostas
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