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Todos no mesmo barco
Martha Medeiros
Martha Medeiros

Martha Medeiros


Todos no mesmo barco

Avião. Ônibus. Carro. Qual o melhor meio de viajar? Todos, mas nunca considerei fazer um cruzeiro, até que recebi um convite sedutor. Seriam quatro dias navegando pelo rio Negro num tour literário. Onde é que eu assino? Quando vi, estava embarcando com a psicanalista Maria Rita Kehl, a atriz e cronista Maria Ribeiro, o rei do infanto-juvenil Pedro Bandeira, o mago da prosa poética João Carrascoza e, pra completar, a cantora Monica Salmaso, já que a boa música sempre flertou com a literatura. E uma penca de leitores.

Foi a nona edição do projeto Navegar é Preciso, promovido pela Livraria da Vila, de SP, que teve essa ideia mágica de juntar escritores de variados gêneros numa experiência ao mesmo tempo turística e intelectual. Eram dois encontros diários, onde um escritor entrevistava o outro diante da plateia. De resto, tempo livre para passear pelos igarapés e igapós, tomar banhos de rio, admirar os botos cor-de-rosa e mergulhar na divina culinária da região. Conheci o Amazonas em 2018, repeti a aventura agora e algo me diz que será amor pra sempre – desde que mantenham a floresta protegida.

A preocupação procede. Tudo que é progressista está sendo cortado: investimento em arte, cultura, universidades, ecossistemas – a ignorância nunca chegou tão longe. Estamos todos no mesmo barco e ele já começa a fazer água.

Os cerca de 70 passageiros do cruzeiro no Amazonas, em sua maioria, eram da turma do #elenão, mas havia alguns #elesim. Não houve conflito, apenas uma leve tensão quando a política entrou no assunto, logo abafada para garantir a paz a bordo. Só que os lados têm que conversar e se entender. Repito: estamos no mesmo barco e a viagem é suicida. Nenhum plano econômico vale a exaltação da mediocridade. O Brasil está na mão de pessoas que estão desmoralizando as conquistas sociais da esquerda, como se o fato de ela também ter sido corrupta justificasse agora este revide que nos atrasará por décadas. Não é meu estilo ser catastrofista, mas calar-se, como?

Semana que vem volto com alguma amenidade, mas hoje me permita o desabafo: menos educação = mais miséria, mais preconceito, mais violência. Estamos confinados na esterilização das ideias, reverenciando um projeto kamikase. O País, em vez de se organizar para dar oportunidades a todos, está reduzido ao que há de mais tosco em termos de pensamento, costumes, direitos. Os pobres irão se danar mais que os ricos, como sempre. Os coletes salva-vidas estarão nas mãos dos mesmos, não vai ter em número suficiente pra todo mundo. O ideal seria pararmos de brigar uns com os outros, reconhecer onde erramos e formarmos juntos uma oposição apartidária e madura, a fim de cobrar do governo um olhar mais humanista. Covardes são aqueles que sabem que têm seu lugar garantido no bote e não impedem o navio de afundar.
 

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