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“Não é preciso ter pânico do câncer de próstata”, afirma médico
Saúde

“Não é preciso ter pânico do câncer de próstata”, afirma médico

Apenas 3% dos homens diagnosticados com câncer na próstata morrem por complicações da doença em todo o mundo. O índice foi divulgado pelo coordenador-geral do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o urologista Wilson Francisco Schreiner Busato Júnior.

O médico comentou que não existe motivo para pânico e lamentou a corrida pela realização do exame PSA, que mede a concentração de antígenos específicos da próstata no sangue para verificar a presença dessa e de outras doenças.
Segundo ele, grande parte dos especialistas que hoje solicita esse exame aos pacientes não sabe interpretar os resultados e acaba apavorando famílias inteiras.

O urologista Wilson Francisco Schreiner Busato Junior afirma que apenas 3% dos homens diagnosticados com câncer na próstata morrem por complicações da doença em todo o  mundo (Foto: Divulgação)
O urologista Wilson Francisco Schreiner Busato Junior afirma que apenas 3% dos homens diagnosticados com câncer na próstata morrem por complicações da doença em todo o mundo (Foto: Divulgação)
“O exame de PSA não indica se há câncer ou não. Ele acende uma luz em casos com potencial para um câncer. E é importante ressaltar que o câncer de próstata é um dos menos mortais, praticamente todos os homens terão esse câncer em algum momento da vida”, disse o especialista.

O médico orienta que homens a partir dos 50 anos façam consultas anuais ao urologista.

“Nessa consulta avaliamos caso a caso. A necessidade de realização do exame depende do perfil: se o homem fuma, se é obeso, sedentário, tem outras doenças associadas ou casos na família. A periodicidade pode variar de seis meses a cinco anos”, apontou Busato. Confira a entrevista completa:

A Tribuna – O senhor disse que a maioria dos homens terá câncer de próstata um dia. Por que isso acontece?
Wilson Francisco Schreiner Busato Júnior – Sim, temos alguns indícios disso, porque o processo de crescimento da próstata não para com o passar dos anos. Um exemplo disso é o fato de que se você remover a próstata de homens que morreram de outros males e fizer testes específicos, você vai achar o problema em 20% a 25% deles. Essa descoberta revolucionou o nosso conhecimento e foi uma guinada na urologia, pois hoje sabemos que os cânceres, em sua maioria, são incipientes, ou seja, não vão progredir. O grande problema é que não temos um teste que diga isso.

Como seria o teste ideal?
Descobrir se o câncer do “seu João” irá progredir ou não. Então, assim, a gente faria a prevenção e tratamento adequados. A metolologia que usamos há pelo menos quatro décadas, de estratificar a célula cancerosa, é ineficaz, uma vez que os tumores até o grau 6 não devem sequer ser chamados de câncer.

Em qual idade, o homem deve começar a se preocupar com isso?
Uma confusão que tem sido feita é que o homem precisa procurar o urologista para ver a hiperplasia prostática benigna, que é o crescimento dela já aos 40 anos. Na verdade, se a gente fizer um PSA dele nessa faixa etária, o resultado deve ser usado como um balizador, um farol para o futuro dele. Se o resultado for um valor igual ou inferior a 0,4, ele tem chance até 16% menor de ter câncer do que outros homens, então tenho de ser mais condescendente na avaliação dele e pedir um novo exame só cinco, sete anos depois. Assim, fazemos o exame nos homens de 45 a 50 anos de idade, que têm expectativa de vida de pelo menos mais 10 anos, e se rastreia esse paciente até os 65, 70 anos. Os homens não precisam ter pânico do câncer de próstata. 

Muitos profissionais estão solicitando esse exame durante consultas de rotina dos homens. É realmente necessário?
A questão é que 90% dos PSAs em todo o mundo não são solicitados por urologistas e oncologistas, mas sim, por cardiologistas, médicos da família, clínicos gerais e geriatras, e esses profissionais não sabem interpretar os números direito, aí acabam apavorando os pacientes. O correto é não fazer o PSA em demasia, pois o risco de um câncer de próstata inicial levar o indivíduo à morte nos próximos dez anos é zero. E tem mais: existem casos de cânceres agressivos que podem aparecer em PSA baixo, então o ideal é dar segurança ao paciente de que ele está sob vigilância constante.

Isso prejudica os pacientes?
Sem dúvida! Isso é uma forma de agredir o paciente, imagina que loucura ele achar que vai morrer sendo que é pouco provável que isso aconteça? É preciso fazer uma análise global do paciente e, aí, entram fatores de risco do câncer, como obesidade, histórico familiar positivo de câncer, se ele é afrodescendente, fumante, obeso mórbido ou sedentário. Se o câncer de próstata aconteceu após os 75 anos, o risco de morte por causa dele é quase zero: o paciente morre de outros tipos de enfermidades, não disso.

O fato de o Brasil não ter programas de saúde do homem, como tem para a mulher, aumenta a desinformação?
Claro. Os ambulatórios não têm urologista e os homens não recebem a informação adequada sobre o assunto. Só para você ter ideia, foram realizadas 22 milhões de consultas de ginecologia contra 1 milhão de consultas urológicas no Brasil no último ano, mas culpar só o governo não é o caminho, pois essa é uma construção antiga.
É complexo saber por que o homem não se cuida, mas o fato de tudo ser demorado e em locais diferentes – consulta em um lugar, exame no outro – pode ser um agravante.

Qual deve ser a maior preocupação do homem hoje para chegar à velhice com mais saúde?
A expectativa de vida dos homens hoje chega a 72 anos, e ela aumenta a cada ano. A medicina está curando e os imunoterápicos que estão chegando são fantásticos. Um completo bem-estar físico e mental ajuda a promover a longevidade. Alimente-se bem, tome sol, consuma selênio e zinco e leve a vida de forma mais leve. Esses são alguns segredos da vida longa.
 


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