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Arroto: um sintoma mal-educado?
Doutor João Responde

Arroto: um sintoma mal-educado?

Para os árabes, arrotar depois da refeição é sinal de que o convidado apreciou o prato. Em nosso País, isso caracteriza falta de educação. Para o corpo, eructar é a maneira que o estômago encontra para se livrar do excesso de gases.

Como é de praxe ser irreverente, o jovem costuma fazer concursos de arrotos, para ver quem consegue produzir o barulho mais alto e repulsivo.

Ao mastigar, os dentes rasgam e moem o alimento, estimulando a secreção de saliva, cujas enzimas quebram o bolo alimentar. Após a deglutição, o esôfago começa a se contrair, empurrando a comida para o estômago, onde é afogada em ácidos, que contribuem com a digestão.

No intestino delgado o conteúdo alimentar é liberado para a corrente sanguínea, nutrindo o organismo. O processo de comer envolve saliva, ácidos, enzimas, gases, entre outros elementos.

Quando abrimos a boca para comer ou beber, cada engolida adiciona dois mililitros de ar ao estômago. Ingerir alimentos de forma rápida, tomar bebidas gaseificadas e sofrer de distúrbio ansioso provocam aerofagia.

Quando arrotamos, o ar sobe do estômago e faz vibrar a válvula que fica entre o esôfago e a boca. O barulho produzido é amplificado pela garganta, como se ela fosse uma caixa de ressonância.

O arroto pode não ser muito conveniente, mas é importante, principalmente para os bebês. Com o sistema digestivo ainda pouco experiente, eles precisam de uma mãozinha para arrotar, caso contrário o gás acumulado pode causar cólicas e vômitos.

Apesar de ser fisiológico, o arroto pode traduzir sintomas de algumas doenças, como a hérnia de hiato, um desequilíbrio que diminui o controle da musculatura na entrada do estômago, facilitando os arrotos.

Outros problemas são a síndrome do intestino irritável e a úlcera duodenal, quando o órgão tem dificuldade de esvaziar e o paciente fica com a sensação de que está com a barriga inchada.

Algumas pessoas costumam arrotar, mesmo quando o estômago não está cheio de ar. Isso geralmente ocorre porque arroto se torna um artifício para tentar reduzir o desconforto abdominal.

Alimentos e bebidas, como feijão, lentilha, brócolis, ervilha, repolho, cebola, batata-doce e refrigerante, podem causar arrotos frequentes.

Alguns medicamentos provocam eructação. Drogas, como acarbose, lactulose e sorbitol, produzem gases. Anti-inflamatórios, como naproxeno, ibuprofeno e aspirina, irritam o aparelho digestivo, produzindo arrotos.

Doenças, como esofagite, gastroparesia, gastrite, úlcera péptica, intolerância à lactose, ao glúten e a frutose, apresentam a eructação como sintoma.

Eructações naturais não necessitam de qualquer intervenção. Entretanto, se os arrotos são exagerados, o tratamento torna-se necessário.

Quando o arrotar é excessivo e o estômago encontra-se distendido e com dificuldade de expulsar o ar, deitar de lado geralmente ajuda. Flexionar os joelhos, mantendo-os encostados no peito, também pode ser útil.

O tratamento para eructação depende da causa. Simeticona, domperidona, metoclopramida e bromoprida são as drogas mais utilizadas.

Arrotos fisiológicos não têm consequências graves. No entanto, se a eructação tornou-se frequente, devido a um problema do sistema digestivo, é possível que os sintomas piorem, caso não haja tratamento.

Eructações leves podem ser controladas com alguns procedimentos, como sentar-se e comer cada refeição lentamente, evitar mascar chiclete e ingerir bebidas gaseificadas, suspender alimentos produtores de gases e fugir de situações indutoras de ansiedade.

Quem coa a mosca e engole o camelo, arrota decepção. Com a barriga cheia de ar, o ansioso fica ansioso até para a ansiedade passar.

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