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A falta do protagonista
Gilmar Ferreira
Gilmar Ferreira

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A falta do protagonista

Repetirei aqui o que escrevi logo após a classificação da Seleção Brasileira, na última quinta-feira (27), em Porto Alegre. O time teve 17 finalizações no segundo tempo, contra duas da seleção paraguaia de Eduardo Berizzo, e só não fez ao menos um gol porque não tem o artilheiro raiz, o 9 goleador. E só por isso o Brasil patina numa Copa América, disputada em casa, e de baixo nível técnico.

Por mais que Roberto Firmino e Gabriel Jesus se esforcem, não funcionam no esquema de Tite. E são ótimos jogadores.

O que há então nessa relação? Por que Firmino faz os gols no Liverpool e claudica na Seleção? Por que Jesus decide alguns jogos no City e com a camisa amarela não consegue mais do que lampejos? Eis o maior senão da Seleção Brasileira na “Era Tite”.

A Seleção sofreu para fazer o primeiro gol na Bolívia em sua estreia na Copa América. Ficou no 0 a 0 com a Venezuela na segunda rodada.

E empatou com o Paraguai neste último jogo — adversário com 10 jogadores por mais de 30 minutos!

O time retém a bola, tem volume de jogo, mas para na linha de contenção na entrada área adversária. Daí a insistência nos cruzamentos.

O problema é que, quando a bola chega na área, não encontra o “goleador-herói”, o atacante dos espaços reduzidos, o homem que faz a diferença.

Questão que pode ser resumida numa análise ainda mais crítica: a Seleção não tem “o” craque. Tem, sim, um grupo de ótimos coadjuvantes, jogadores que atuam nos clubes mais endinheirados da Europa.

Argentina

Lionel Messi, o jogador mais completo do mundo da era pós Maradona, completou 32 anos essa semana e parece longe do término da carreira — ainda bem.

Não conheço um só humano capaz de levantar suspeitas sobre o talento do argentino. Mas o próprio craque reconhece que não faz boa Copa América.

Na vitória sobre a Venezuela, na última sexta-feira, no Maracanã, o semideus do Barcelona não recebeu marcação individual, teve espaços para jogar, mas oscilou entre os raros bons momentos e o fastio.

Por duas ou três vezes, reclamou de toques de mão dos adversários e, ao término da partida, creditou parte de sua má atuação à qualidade do gramado.

Tudo bem que os campos estão em estado deploráveis, mas o histórico de Messi não é dos melhores faz tempo.

Gols, por exemplo, são apenas dois nos últimos oito jogos oficiais. Desempenho que ajuda a explicar o jejum de títulos dos argentinos...

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